Mais do que ter sua riqueza cultural reconhecida oficialmente, com o registro de bem imaterial junto ao Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan), o fandango caiçara passa a ter a salvaguarda do Estado, por meio de ações de documentação da memória e de fomento à continuidade da prática. ''Quando o registro é efetivado oficialmente ele passa a existir e o governo passa a olhar. Colabora também para o fortalecimento entre as unidades do fandango, dessa rede caiçara'', observa a coordenadora do Encontro, Daniella Gramani. ''É como se o fandango estivesse batendo o pé para as pessoas o escutarem. É uma forma de exigir esse reconhecimento, pelo que eles já fazem há séculos'', completa Daniella.
A partir desse primeiro pedido de registro, será feito um amplo processo de inventário que necessariamente envolve as comunidades tradicionais e mestres na reunião e construção de documentos de referência. Diferente do tombamento (reservado aos bens materiais), o registro de um bem cultural imaterial parte da idéia de vitalidade e transformação inerentes aos processos culturais.
De acordo com Joana Corrêa, uma das pesquisadoras envolvidas no processo, não houve dificuldade para a realização do primeiro levantamento de informações sobre a prática do fandango por causa da grande quantidade de pesquisas já realizadas sobre o tema. ''Reunir material foi fácil. Já está bastante documentado, tem bibliografia bastante extensa, a começar pelos folcloristas, passando pela geração de pesquisadores dos anos 80 e pelas pesquisas acadêmicas''.

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