Praias do oeste mantêm certo ar selvagem
Itapipoca - Saindo de Fortaleza e tomando o rumo do litoral oeste, pela estrada asfaltada CE-085, muito antes da distante Jericoacoara (que fica a 318 quilômetros da capital), o viajante já pode desfrutar das mesmas paisagens de mar, dunas e coqueiros que fizeram com que Jeri fosse eleita pelo programa ''Lonely Planet'', do canal de TV a cabo ''People&Arts'', a praia mais bonita do mundo. A costa oeste cearense ainda preserva um ar inexplorado, isso em praias que ficam a pouco mais de uma hora de Fortaleza.
A 120 e 130 quilômetros de Fortaleza, respectivamente, estão Flexeiras e Mundaú. A primeira, no município de Trairi, é bastante tranquila e dispõe de uma boa infra-estrutura de pousadas. A segunda, a poucos minutos de carro, pertencente ao município de Itapipoca, é a preferida de turistas que querem desfrutar de uma praia maravilhosa, com dunas, piscinas naturais formadas pelos arrecifes de corais e a larga barra do Rio Mundaú. Além, é claro, do conforto de sombras sob os coqueiros para uma ''siesta'' após o almoço em um dos vários restaurantes da praia.
O que os frequentadores dessa parte do litoral costumam fazer é aproveitar a boa infra-estrutura de pousadas de Flexeiras que também atrai surfistas no fim da tarde, com a maré cheia e passar o dia em Mundaú, embora esta também disponha de pousadas razoáveis. Além do tradicional passeio de buggy nas dunas, há um passeio de barco catamarã, com capacidade para 60 pessoas, promovido pela Barraca Mirante dos Corais.
Percorre-se o Rio Mundaú, entre dunas e manguezais, com direito a uma parada para um refrescante banho no rio, onde a água pode estar doce ou salgada, conforme o nível da maré. Um passeio de uma hora custa R$ 15,00 por pessoa.
Ali, novamente as rendeiras cearenses estão presentes, trançando rendas de bilro e vendendo-as a preços bem acessíveis, se se levar em conta o trabalho que cada peça dá para ser feita. A rendeira Maria Manuel de Souza instala seu ''escritório'' os apetrechos de que necessita para confeccionar a renda e um banquinho sob coqueirais, em frente ao mar de Mundaú. Ela leva um mês para fazer uma saída de banho.
Quem chega cedo à praia e pega a maré baixa também pode apreciar o trabalho dos pescadores artesanais que, pacientemente, ficam na orla dos arrecifes vigiando os cardumes de saúnas, pequenos peixes que dão uma bela fritada. ''Quando vejo um cardume jogo a rede'', ensina o pescador Abdon Peixoto de Carvalho, morador de Mundaú. Carvalho, assim como seus companheiros de pescaria, passam horas sob o sol, esperando a melhor oportunidade de jogar a tarrafa. Um trabalho que, naquela beleza de paisagem, não dá para reclamar. (T.R.)





