Praga - O relógio astronômico da Cidade Velha marca 18 horas. Uma multidão de turistas acompanha os movimentos sincronizados da engenhoca do início do século 15. Eles fotografam e aplaudem o espetáculo. E se intrigam com a passagem do Sol e da Lua pelos signos do zodíaco. A tarde de domingo cai na capital da República Checa. E a essa hora, depois de percorrer boa parte de seus cartões-postais, eles seguem sem saber para qual lado olhar.
Nada mais natural. Os olhos ficam cheios o tempo todo em Praga. É pura festa para fotógrafos, pintores, poetas e, claro, turistas. Tem sido assim ao longo de séculos. Por onde quer que se caminhe há motivos de sobra para se lembrar que a cidade divide com Paris o subjetivo, porém difícil de contestar, título de ''mais bonita das capitais européias''.
À direita do relógio da Cidade Velha fica a Igreja de Nossa Senhora Diante de Tyn, construída entre 1350 e 1511. Suas cúpulas e agulhas góticas servem como ponto de referência. Nos arredores, bares e restaurantes promovem a happy hour com mesas na calçada. Não há carros. Apenas turistas. Aos milhares.
Perto dali, uma placa indica a esquina onde nasceu Franz Kafka (1883-1924), autor de aclamados livros, entre eles ''A Metamorfose'' e ''O Processo''. Os guias contam que Kafka recolhia-se numa das pitorescas casas a de número 22 pegadas à parte interna da muralha do Castelo de Praga para buscar inspiração.
Aliás, o Castelo de Praga é passeio para um dia inteiro. Remonta à origem da cidade, no século 9. Atrás do grande portão ergue-se imponente a Catedral de São Vito, na parte central da fortaleza. Gárgulas e uma enorme rosácea enfeitam a entrada principal, no lado oeste do edifício. Vá até a capela de São Venceslau, cujas paredes são decoradas com pedras semipreciosas e afrescos. A partir daí, você vai começar a entender a grandiosidade de um castelo que reúne todo o esplendor da arte gótica e prédios renascentistas da época de Rodolfo II, o último Habsburgo a morar ali.
Mas cabe a Carlos IV as grandes transformações de Praga. O imperador romano-germânico decidiu fazer da cidade a mais suntuosa da Europa. No fim da Idade Média, fez erguer templos e uma universidade. Pôs em prática projetos urbanísticos e restaurou o castelo. De quebra, ainda fundou, em 1327, o bairro da Cidade Nova.
E é justamente na saída do Castelo de Praga que se encontram mirantes para uma das vistas clássicas da cidade. A Ponte Carlos se destaca no horizonte. É o mais popular cartão-postal da cidade. Das 17 pontes que atravessam o Rio Moldava é, sem dúvida, a mais movimentada. E bela: é toda ladeada por esculturas de diversos santos. Aproveite para tocar a imagem de São João Nepomuceno. Dizem que quem a toca, volta a Praga.
A Ponte Carlos liga a Cidade Velha a Malá Strana, região que se conserva como é desde o fim do século 18. O bairro, de 1257, guarda a Igreja de Nossa Senhora Vitoriosa, onde está a imagem do Menino Jesus de Praga. Quando anoitecer, dirija-se à Praça Venceslau, na Cidade Nova. É o bulevar mais animado de Praga. Lá, prove as deliciosas cervejas checas.
Mais informações: www.czechtourism.com; www.prague-city.cz.

mockup