Pra ver a banda passar cantando coisas de amor
Chico Buarque disse que a banda é romântica, ''O meu amor me chamou pra ver a banda passar cantando coisas de amor''. E provocante. Ouvindo-a, ''o velho fraco se esqueceu do cansaço e pensou que ainda era moço, pra sair do terraço, e dançou''. Mas, para muitos apreciadores, indispensável na banda é o dobrado, pelo vigor melódico e o ritmo de marcha.
São clássicos do gênero: ''Saudade de Minha Terra'' (autor desconhecido), ''Batista de Mello'', de João Alves; ''Capitão Caçulo'', de Teófilo Magalhães; ''Dobrado 220 e Cisne Branco'', de Antônio Manoel do Espírito Santo.
Por enquanto, a banda de Ribeirão Claro não os inclui. Adapta uma seleção popular mais recente contemplando também a preferência dos mais jovens. Só não pode faltar a toada Flor do Cafezal, do ribeirão-clarense Luís Carlos Paraná (1932-1970), que se inspirou na terra natal. A florada parecia ''um lindo véu de branca renda, se estendendo sobre a fazenda, qual o manto nupcial''.
Sucesso de Cascatinha & Inhana em 1966 (RCA Victor), ficou conhecida também por ''Meu Cafezal'', no refrão: ''Meu cafezal em flor, quanta flor meu cafezal. Ai, menina, meu amor, minha flor do cafezal''.
Carlos Paraná era sócio da Boate Jogral, em São Paulo, e o seu primeiro sucesso havia sido a guarânia Queria, que Carlos José gravou em 1964. Violonista e cantor, Carlos Paraná se apresenta na TV Coroados, em Londrina, e conhece Adauto Santos, o ''Paulistinha''.
Violonista e violeiro, Adauto tocava com o acordeonista Juliano De Mari na Rádio Londrina e em boates. Carlos Paraná o levou para São Paulo e juntos fizeram o samba ''De Amor e Paz'', que Elza Soares classificou em segundo lugar no II Festival de Música Popular Brasileira (FMPB) da TV Record, em 1966.
Paraná, que gravou músicas suas e de outros compositores, morreu em 3 de dezembro de 1970. Tinha só 38 anos. Adauto Santos trabalhou com Paulo Vanzolini, Rolando Boldrin, Inezita Barroso e o célebre João Pacífico. Morreu em 26 de fevereiro de 1999, aos 58 anos. (W.S.)





