No Rio Grande do Sul, existe a Casa de Cinema de Porto Alegre. No Ceará, o Instituto Dragão do Mar. Em São Paulo e Rio de Janeiro, uma indústria cinematográfica ainda informal mantém este eixo como o maior produtor audiovisual do País. E no Paraná? Existem centros de produção isolados, como Cascavel, Curitiba e Londrina, mas que nunca interagiram. Por que não integrá-los?
Pensando nas consequências desta possível interação, o deputado estadual Antonio Carlos Baratter (PL) elaborou o projeto de lei 065/2000, que prevê a criação de um pólo cinematográfico no Paraná. O projeto, apresentado na Assembléia Legislativa pela primeira vez em 22 de fevereiro do ano passado, deve ser apreciado em abril, ainda sem data específica.
Com a criação do pólo, o projeto de lei visualiza a fomentação, profissionalização, desenvolvimento e incentivo das atividades cinematográficas em todo o Estado. Baratter lembra que a idéia surgiu durante visitas à região Oeste, em conversa com os produtores locais: ‘‘Cascavel já figura no cenário nacional como um dos pólos de produção de cinema. Existem espaços específicos para se fazer filmes, ônibus que passeiam pela cidade mostrando seu potencial turístico, ou seja, toda uma estrutura consolidada para o cinema. O que os produtores querem é um apoio por parte do Estado’’.
Segundo o projeto, a sede do pólo será em Cascavel, já que há alguns anos a cidade tem se mostrado apta à produção cinematográfica. Uma sede em Curitiba irá assumir a coordenação do pólo, por estar próxima ao Palácio Iguaçu - o que facilitaria as negociações. O orçamento do Estado poderá destinar verbas para o pólo ou Fundações que tenham como objetivo em seu estatuto promover atividades culturais.
O produtor londrinense Caio Julio Cesaro considera importante qualquer discussão que envolva a produção de audiovisual no Estado. Tanto que, após produzir dois curtas (‘‘Saudade’’ e ‘‘Cine Paixão’’), uma oficina de cinema Super 8, três edições da Mostra Londrina e não ter o retorno que esperava, deve abandonar a produção na região. Ele lembra que o apoio oferecido ao novo projeto da cineasta Tizuka Yamasaki, ‘‘Gaijin II’’, não foi o mesmo que recebeu: ‘‘Não sou contra a Tizuka vir produzir na região, mas não creio que haverá um estímulo à produção local. É muito importante o que ela está vindo fazer, mas decidi parar de produzir, já que não tive o retorno esperado da sociedade’’.
O cineasta Paulo Munhoz, autor do curta de animação ‘‘A Lenda’’, já considera excelente o simples fato de um deputado criar um projeto para este setor, mas observa que a questão de se criar um pólo deveria ser revista: ‘‘Temos de entender o cinema no Paraná como um sistema, pois só assim o fluxo funcionaria. Quando criam um pólo, trazem estrelas, tudo se centraliza e nada permanece. É preciso um sistema do audiovisual no Paranᒒ.

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