Povoados da Síria
ainda falam aramaico
Maalula fica ao sopé das montanhas Antilíbano que separam a Síria e o LíbanoQuase todos os fatos inscritos no Antigo e Novo Testamentos aconteceram na região denominada de Oriente Médio. A Síria, apesar de ter a população predominantemente muçulmana tem uma importante parcela de cristãos, em sua maioria, ortodoxos.
As maiores atraçõs quando se fala em turismo religioso remetem imediatamente aos povoados sírios que ainda falam aramaico, a língua dos patriarcas hebreus. Essa também era língua falada por Jesus em contato com a população humilde, deixando o hebraico para os debates nas sinagogas, com os mestres e rabinos. Alguns livros da Bíblia dão indicações de que foram escritos em aramaico (trechos de Esdras e o livro de Ester).
Os arameus ou aramaicos foram povos semitas de origem nômade que se fixaram na região do Rio Eufrates, em território sírio. Embora tivessem sido dominados politicamente pelos assírios (povo da Mesopotâmia, atual Iraque), os arameus conseguiram impor sua língua por ser ela mais simples e seu alfabeto – mais prático do que os caracteres cuneiformes.
Com o surgimento do Islã, a partir do século VII d.C. o aramaico foi sendo suplantado pelo árabe, mas ainda é falado por milhares de pessoas em diferentes dialetos no Iraque, em algumas províncias do Cáucuso e, sobretudo, na Síria.
E é nesse país que se encontra a cidade Maalula, um dos mais importantes locais de peregrinação cristã. Localizada a cerca de 54 km de Damasco, a capital da República Árabe da Síria, ao sopé das montanhas Antilíbano, a pequena cidade é habitada por uma maioria de católicos ortodoxos gregos que ainda se comunicam na mesma língua citada na Bíblia. Nos penhascos, de uma altura de 1500 mts, existem inúmeras igrejas construídas na pedra bruta. As paredes são decoradas com desenhos bizantinos de beleza singular. Tumbas cristãs também estão por toda parte no paredão.
Em Maalula estão numerosos conventos e santuários importantes. O convento de São Sérgio, erguido no século IV d.C. sobre as ruínas de um templo pagão além da igreja de Santa Techa, para onde acorrem peregrinos cristãos, em busca de orações ou para pagarem promessas. Mas não apenas na Semana Santa o povoado de Maalula recebe visiyantes. Festivais folclóricos tradicionais, além da Festa da Cruz, em 14 de setembro, da festa de Santa Techa, em 22 de setembro ou o dia de São Sérgio, em 7 de outubro, trazem turistas que se encantam com a arquitetura e a religiosidade de um lugar único, onde o passado sobrevive em uma língua milenar. (M.B.)

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