Povo de tecnologias avançadas
Para muita gente, a matemática ainda é um mistério. Como imaginar que antes da era cristã um povo dominava o assunto? Essa pergunta banal resume o espanto que assola qualquer um que se depare com as construções e os complexos esquemas de irrigação desenvolvidos pelos maias há séculos. Uma visita à suas cidades é pouco para entender a importância dessa civilização, porém, suficiente para ter a dimensão da nossa existência.
A cidade de Edzná, que teria começado a se formar em 600 a.C. e viu seu apogeu entre 600 d.C. e 900 d.C., exibe um sistema hidráulico impressionante. Há uma extensa rede de 13 canais principais e 31 complementares, com 84 depósitos subterrâneos onde se armazenava a água da chuva. Sem contar os gigantescos edifícios de pedra.
A 75 quilômetros da capital, Edzná é uma das 2 mil zonas arqueológicas do Estado, poucas abertas à visitação. É que Campeche faz parte do chamado mundo maia, área de 500 mil quilômetros quadrados, divididos entre Guatemala, Belize, El Salvador, Honduras e México.
Para quem tem tempo, vale esticar até o sul de Campeche, perto da Guatemala. Lá está a Reserva da Biosfera de Calakmul, importante sítio de 70 quilômetros quadrados. Em Edzná, com 25 quilômetros quadrados, se tem uma amostra de como era a vida dos maias, mesmo não tendo sido esta uma das principais cidades erguidas entre 800 a.C. e a chegada dos espanhóis, no século 16.
Na caminhada, o guia irá mostrar os diferentes estilos arquitetônicos usados. E irá comentar que há três hipóteses para o significado da palavra Edzná: casa dos itzáes (o povo que viveu lá), casa do eco (ouvido com facilidade entre as construções) e casa dos gestos (pelos desenhos encontrados no sítio).
A viagem está completa quando finalmente se chega ao topo do principal prédio da grande acrópole. São cinco andares tão inclinados que a subida causa tontura. Uma corda foi colocada para ajudar os visitantes. Lá embaixo, as pessoas são pontos minúsculos. Vê-se a selva densa, contrastando com enormes blocos de pedra ali postos séculos antes da sua visita. Uma sensação indescritível.
Você volta para casa com vontade de ir a sítios arqueológicos maiores, de comprar calendários maias, de ler mais para aprender sobre a antiga civilização. E, ainda que nada disso se concretize, você, no mínimo, se sente na obrigação de decorar a tabuada





