fotos: Agência X/CascavelInacabadaA Igreja de Nossa Senhora Sant’Ana começou a ser construída no século 17 com pedras e óleo de baleiaA maior parte das cidades da Chapada Diamantina tem população entre 3 e 5 mil habitantes, com comunidades relativamente homogêneas em termos sociais e econômicos. É um povo simples e alegre, com o qual o visitante se relaciona facilmente, o que marca certo contraste com a relativa sisudez das pessoas de grandes centros urbanos do Sul do País. Nas festas (há inúmeras, típicas e muito animadas) ou nas ruas, é fácil fazer amizade logo no primeiro contato com os baianos - e com as baianas.
Muitas cidades estão em regiões altas, e a temperatura é extremamente agradável. Rio de Contas (1.040 metros acima do mar) tem a maior parte do casario (tombado em 80 pelo Patrimônio Histórico) preservada e ruas calçadas com pedras. Os proprietários podem no máximo pintar as paredes externas e adaptar as internas. As pousadas seguem o estilo, como a Pérola do Rio (fone 077-475-2080) e a Rio de Contas (fone 077-475-2090): na frente, fachada colonial, e por dentro, uma bela e moderna hospedaria - um apartamento duplo custa cerca de R$ 40,00 ao dia.
Casario de Rio de Contas: cidade tem origem em 1687, quando sertanejos e jesuítas chegaram ao local, encontrando negros fugidos de senzalas.
Rio de Contas tem origem em 1687, quando sertanejos e jesuítas chegaram ao local, encontrando negros fugidos de senzalas. Virou o Pouso dos Creolos, que em 1723 passou a Vila de Nossa Senhora do Livramento e Minas de Rio de Contas, e depois apenas Rio de Contas. A cidade tem valiosos monumentos, além de 270 casas tombadas. A Igreja de Nossa Senhora Sant’Ana, construída no século 17 com pedras e óleo de baleia misturada à argamassa, ficou inconclusa quando do declínio do ciclo do ouro.
Moderna e incomum Outro ponto histórico é um trecho da Estrada Real, de pedras naturais, construída nos tempos do Império, e que leva à Cachoeira do Brumado (180 metros), da qual se descortina um gigantesco vale bordado de montanhas. Ao lado da estrada está a pousada Raposo Chalé (fone 077-475-2111, R$ 40,00 o apartamento duplo), do baiano Luiz Carlos Farias, 36 anos, e sua mulher Ana Paula, 36, que era de Maringá, conheceu a Chapada há 12 anos e decidiu que esta seria a sua pousada ‘‘com certeza’’.
A Estrada Verde e a Cachoeira do Brumado, que tem 180 metros: vale bordado de montanhas.
O moderno também está presente em Rio de Contas, caso do San Felipo Resort (fone 077-475-2080, 40 apartamentos, diária de R$ 95,00 nos duplos), de construção sofisticada, piscina com bar no centro, quadras de tênis e outros esportes, cercado de montes e, ao fundo, emoldurando-o, um gigantesco açude. Moderna também, e absolutamente incomum, é a Estrada Verde, de 9,5 quilômetros, que liga Rio de Contas a Livramento, inaugurada no final de 97. A rodovia foi construída com concreto compactado a rolo e sua pista é de cor verde (‘‘ecológica’’), com pigmento altamente resistente e que reduz o aquecimento dos pneus dos carros.
Lençóis, a ‘‘capital’’ do Circuito do Diamante, é a cidade que mais recebe visitantes (o aeroporto em construção ampliará o fluxo turístico), por ter maior divulgação e estar no centro de grande número de atrativos geográficos. À noite, raramente se vê turistas nas ruas, porque o que eles mais querem é comer e dormir, depois de longas trilhas percorridas. Em um bar, porém, as alemãs Brigitte Priller (secretária) e Regina Braun (arquiteta), de Munique, resumem, em meio a várias cervejas, tudo o que atrai na Chapada Diamantina: ‘‘As coisas da Natureza, a gente, seus costumes, sua história’’.

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