Poucos títulos da artista foram relançados no formato CD
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segunda-feira, 03 de abril de 2000
Por Mauro Dias 
São Paulo, 04 (AE) - Procure CDs de Elisete Cardoso nas melhores lojas do ramo. Não vai encontrar quase nada. Pouco se relançou de Elisete, a mais completa cantora brasileira de todos os tempos (Elis Regina fica perto, bem perto, mas não chega lá). Maior porque Elisete não conhecia limites.
Cantava maravilhosamente bem o samba (a grande Nana Caymmi, por exemplo, não é boa de samba), esplendidamente canções de amor (mas que outra cantora canta samba e canção de amor com a mesma qualidade?), bossa nova, Villa-Lobos, boleros, sambas-canção, choros, valsas, o que houvesse, se fosse bonito.
Alguns de seus discos mais célebres são também fundamentais para a história da música popular. "Canção do Amor demais", que lançou a bossa nova, em 1958 (foi em duas faixas do disco, "Chega de Saudade" e "Outra Vez", que primeiro se ouviu o violão inovador de João Gilberto), ganhou tímido relançamento em CD. Está esgotado.
O disco ao vivo, com Jacó do Bandolim e o Zimbo Trio, gravado em 1968, no Teatro João Caetano, no Rio, também está lançado em CD, duplo, por sinal - mas só no Japão. E se você quiser comprar pela Internet, desista. Cláusula do contrato (uma exigência do filho da artista, herdeiro de seu patrimônio) proíbe a venda do disco para o Brasil.
Naturalmente, a obra - obra? - de Reginaldo Rossi está toda relançada. A de Elisete mofa, literalmente, nos depósitos das diversas gravadoras pelas quais passou. Mais alguns anos e aquele material, perecível, extremamente corruptível, se perde irremediavelmente.
Elisete começou no tempo dos discões pesados de 78 rotações por minuto, levada à gravadora Star, em1948, por Ataulfo Alves, de quem gravou "Mensageiro da Saudade" (de Ataulfo e José Batista). Do outro lado (os discos tinham dois lados), "Braços Vazios", de Acir Marques e Edgar Batista. Não pegou a era do CD.
Seus dois últimos discos antecederam em pouco tempo o surgimento da nova tecnologia. Os dois foram gravados com acompanhamento do violonista Rafael Rabelo: "Ari Amoroso" (Elisete cantando canções de amor de Ari Barroso, na verdade um brinde de fim de ano para os clientes de uma fábrica de móveis) e "Todo Sentimento". Você também não os encontra em CD.


