Poty usa toda uma cidade como galeria
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quarta-feira, 15 de abril de 1998
Zeca Corrêa Leite 
Onde quer que se ande por Curitiba, há sempre uma pista de que o gravurista Poty Lazzarotto esteve por ali. São painéis e murais contando e recontando a história da cidade e do Estado, espalhados pelas ruas e praças, nas fachadas dos edifícios e em paredes internas onde nem sempre o público tem acesso. Segundo levantamento feito pelo artista plástico Domício Pedroso, existem 101 obras do artista no Brasil e exterior.
Nesta noite, às 19h, a Galeria da Caixa - mantida pela Caixa Econômica Federal - promove o lançamento de A Obra Monumental de Poty, um apanhado de tudo o que ele realizou em Curitiba entre murais, painéis e vitrais. A exposição preocupou-se com o lado documental do processo artístico. O visitante poderá apreciar os estudos feitos pelo artista e, ao lado, terá as fotos do trabalho concluído.
A curadoria é de Domício Pedroso, que deu uma ordem cronológica aos esboços, desenhos originais e maquetes dos projetos. Começa em 1953 com o painel em azulejos no Monumento do 1º Centenário do Paraná, na Praça 19 de Dezembro, e se encerra com Trabalhadores da Barragem, feito em concreto e cerâmica, no mirante da barragem de Itaipu, que o artista terminou mês passado. É a exceção entre os projetos eminentemente curitibanos. Na segunda-feira a mostra estava concluída, quando foi apresentada à imprensa. Poty não esteve presente por motivos de saúde.
Ao longo de 46 anos, desde o painel na Praça 19 de Dezembro, aos últimos exemplares, percebe-se uma evolução nos traços, segundo o curador. Percebe-se que em 1953 o desenho era mais acadêmico. As figuras não tinham a deformação e distorção que marcam as mais recentes, e lhes dão movimento e dinâmica.
Graças à evolução técnica as esculturas ganharam linhas mais leves e arredondadas. Ao compor a fachada do Teatro Guaíra, em 1969, Poty usava formas de madeira no seu trabalho. Os cortes, então, eram mais perpendiculares. Com o uso do isopor, material que ele adotou há 11 anos, foi possível obter-se um recorte mais suave e arredondado.
Os grandes trabalhos como o painel da Travessa Nestor de Castro, atrás da Catedral, trazem cores alegres ainda que tendendo sempre entre o verde, o marrom, o preto. A cor é decorativa, comentou Domício. O importante é o desenho. Poty é eminentemente um gravador, ele sempre gostou do traço preto no papel. Seus desenhos e ilustrações sempre foram em branco e preto.
Pois é. E sempre contemplaram o homem comum, gente do povo. Os imigrantes polacos, italianos, alemães estão lado a lado de migrantes vindos do extremo sul e de outros Estados como São Paulo, Mato Grosso, Rio de Janeiro. Em toda obra, em qualquer tema você vai encontrar o homem. Há sempre o referencial humano, concorda Domício.
Poty e sua Obra Monumental - exposição em cartaz na Galeria da Caixa, Rua Conselheiro Laurindo, 280. Inaugura hoje às 19h. A partir de amanhã aberta ao público das 10h às 16h, até dia 29 de maio.


