Eles têm 54 anos de diferença e muitas coisas em comum. Em especial, o amor pelas artes. Potyguara (Poty) Lazzarotto, um dos artistas plásticos mais conhecidos e talentosos do Paraná, aposta no talento de um jovem aprendiz, Adualdo Renato Lenzi Jr, 20 anos, e já há quem diga que ele é um forte candidato a sucessor do mestre.
‘‘Fiquem de olho, ele tem futuro’’, afirmou Poty, com o conhecimento de quem convive com o garoto desde que este nasceu. ‘‘O pai dele faz parte da minha equipe de colaboradores desde a década de 70’’, contou.
Um dos trabalhos desenvolvidos por esta equipe é a ampliação das obras de Poty, que chegam a ganhar a altura de dez andares de um prédio, em forma de painel.
Estudante de Educação Artística na Universidade Tuiuti e de Artes Plásticas na Faculdade de Artes do Paraná (FAP), Jr. conta com orgulho que começou a trabalhar com Poty aos 11 ou 12 anos, varrendo o chão do estúdio e limpando a cerâmica dos painéis. ‘‘Este é um ótimo começo’’, completou Poty.
Agora ele se prepara para embarcar para Florença, na Itália, onde fará um curso de especialização na Academia Italiana de Artes no próximo mês. Em 99, Jr. estudará Belas Artes em Paris ou Florença.
Em seu ainda breve currículo, ele aponta as aulas que já deu no Centro de Estudos Supletivos (CES) e a semana de palestras e oficinas que fará neste mês em Faxinal do Céu (PR) para um grupo de 1.200 professores de artes plásticas do Estado.
‘‘Não digo que fui influenciado por meu pai e Poty, mas muito incentivado por eles, desde o início’’, explica Jr., que já possui alguns trabalhos em desenho concluídos. Ele já fez alguns painéis em cerâmica e desenhos para o jornal interno da Tuiuti, além de retratos da Ópera de Arame, Catedral e outros símbolos curitibanos.
‘‘Gosto muito de representar as coisas da cidade’’, afirma, revelando uma importante coinscidência com a obra de Poty. Ele não se considera um sucessor do artista e fica tímido ao falar no assunto, mas não nega que seus trabalhos possuem alguns traços semelhantes aos do mestre. ‘‘Acho que ele deve se libertar disto’’, opina Poty.
Esta tarefa, entretanto, não é fácil para quem trabalha muitas horas por dia reproduzindo os mínimos detalhes das obras assinadas pelo mestre.
‘‘Quando a ampliação tem até dois metros de altura, podemos fazê-la com o auxílio de xerox e do computador, mas se ela for maior do que isso, fazemos tudo a mão livre, interpretando e sentindo os traços dele’’, explicou. ‘‘Nestes casos, chegamos a trabalhar o dia todo juntos, já que o Poty faz questão de supervisionar tudo e fazer os arremates finais’’.
‘‘Foi neste convívio que percebi o talento dele’’, revela Poty. Atualmente eles estão trabalhando num painel que terá 20 metros de largura por três de altura e será inaugurado em setembro, em Itaipu.

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