Kraw PenasMural de Poty tem galeria de nove escritores brasileiros, entre eles Mário de Andrade, Paulo Leminski e Mário PalmérioAinda não tem data marcada, mas em breve a Livraria Curitiba da Boca Maldita estará inaugurando um mural de 30 metros quadrados assinado por Poty Lazaroto, onde foram retratados nove escritores brasileiros. Mário de Andrade, Guimarães Rosa, Monteiro Lobato, Paulo Leminski, Emílio de Menezes, Lima Barreto, José Cândido de Carvalho, Machado de Assis e Mário Palmério formam a galeria.
O traço do artista junta-se ao colorido das flores da Rua Quinze, que ele achou de colocar em alguns dos painéis. Qual a ligação de Curitiba com os escritores? A princípio nenhuma, mas Poty empreendeu com este trabalho uma grande brincadeira. ‘‘Eu me diverti muito enquanto desenhava’’, disse para a Folha 2.
A fantasia tomou conta do artista. Dando asas à imaginação, engatou um balão ao bondinho que fica perto da Boca Maldita. O motorneiro não sabe direito o que dirigir suspenso no ar; um rinoceronte invade o espaço. Tudo isso está em Machado de Assis. Alguma semelhança com ‘‘O Alienista’’ não é mera coincidência.
Sem encrencaTem mais: Henry Fonda - vestido a caráter, de xerife - tomando café na Confeitaria Guairacá, que ficava no térreo do Palácio Avenida. Pois é, nos velhos e bons tempos o pai dos irmãos Fonda esteve em Curitiba e realmente circulou por ali. Bem ou mal o calçadão da Quinze casa-se com o universo dos literatos nesta livre leitura do muralista.
Poty foi convidado para desenvolver o tema, ficando a seu critério os homenageados. Como quer paz, escolheu os mortos. ‘‘Pensei em colocar uns vivos, mas daria muita encrenca’’, explicou.
Com esta decisão ficaram de fora Helena Kolody e Dalton Trevisan, dois nomes ‘‘imprescindíveis’’ na sua preferência. É que se abrisse espaço viriam os inevitáveis pavões disputando lugar no rol. ‘‘Tem gente aí que escreve uns versinhos e acha que é poeta’’, disse o artista malicioso.
Ampliando PotyO trabalho inconfundível de Poty, impresso nos painéis, foi executado por Adroaldo Lenzi Júnior, jovem talento de 20 anos. Ele herdou a arte do pai, que colocou sua assinatura nos murais em cerâmica espalhados pela cidade.
O que poucos sabem é que Júnior participou da feitura dos painéis da Sanepar, do Aeroporto Afonso Pena e da Galeria do Solar do Rosário, filial do Estação Plaza Show. Agora sim, o rapaz oficializa sua arte.
Adroaldo Júnior cresceu vendo o artista frequentar sua casa. Apesar dessa proximidade, ainda assim ‘‘a responsabilidade é diferente em copiar um desenho dele, do que se fosse um desenho meu. A pessoa que olhar o painel tem que ver Poty’’.
Sem corA fidelidade do traço acabou por influenciar o jovem, que tem as mesmas preferências do mestre: amante da leitura; de filmes clássicos, especialmente em preto e branco; quer ilustrar livros e traz em seus desenhos o traçado quadrado. ‘‘Não é um traço certinho, mas não tem nada a ver com Poty’’, apressa-se em dizer.
Júnior classificou-se neste verão nos vestibulares da Faculdade de Artes do Paraná e Escola de Música e Belas Artes. Apesar de haver assegurado seu lugar nas duas escolas, vai tentar o curso de Artes Plásticas com Computação Gráfica, na Faculdade Tuiuti. ‘‘Estou dentro de tudo que se relaciona ao desenho’’, afirma.

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