Possível. Impossível... Ontem, enquanto balançava preguiçosamente na rede pendurada na garagem fresca e sombreada, fiquei meditando sobre estes dois conceitos que, na verdade, são bem mais subjetivos do que parecem. Acredito que estamos aqui para combater e tentar derrubar a maior quantidade possível daqueles mitos (os impossíveis ilusórios) que freiam ou impedem o nosso crescimento, porém, também penso que lutar contra eles e vencê-los não significa que nos transformaremos em eternos Quixotes indo sempre atrás dos impossíveis, almejando coisas inatingíveis, despropositais para nossa condição humana.
O possível é tudo aquilo que desejamos e podemos verdadeiramente realizar. O possível é o realmente importante para a nossa existência real, é o desejo que nos leva à superação, ao crescimento, à mudança e não à frustração, à alienação ou ao desespero. Não existe nada além disto e a sabedoria é a chave que abre esta porta, pois ela nos mostra a dimensão exata dos nossos anseios e as reais possibilidades de concretizá-los. A sabedoria é, definitivamente, o caminho para se chegar a todos os aparentes impossíveis (aqueles para os quais vivemos arranjando desculpas para não atingir) e para os possíveis que ainda não conseguimos enxergar, presos pelos limites que os nossos impossíveis nos impõem.
Acho que por isso Santa Teresinha do Menino Jesus afirmava tão categoricamente que Deus nunca nos inspira desejos que não possam ser satisfeitos, mesmo que eles possam, às vezes, parecer inatingíveis. Ele nos inspira tudo que é possível e cabível a um ser humano e quer muito conceder-nos estes desejos; nós é que não acreditamos nisto!... E isto acontece porque a nossa visão de ''possível'' e ''cabível'' é bem diferente da de Deus. Para começar a entender verdadeiramente estes conceitos e aplicá-los em nossas vidas teríamos, primeiramente, que compreender o que é ''sermos humanos'', e quais as nossas potencialidades. Depois, acho que seríamos capazes de começar a agir em prol do sucesso de todas as nossas empreitadas. Há que sonhar, sim; há que esperar e ter fé, ser otimista e batalhador; porém é imprescindível que, para que a árvore que somos dê frutos, ela esteja com as raízes bem fincadas no chão.

- Paz Aldunate é professora de teatro, dramaturga e escritora
pazaldunatepalavras.blogspot.com

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