Curitiba

Karw PenasJosé Maria Gorosito: ‘‘O computador permite uma síntese de tudo, ao mesmo tempo que destrói tudo’’O professor, artista plástico e artista gráfico José Maria Gorosito, argentino radicado em Curitiba, abre hoje, no Espaço Cultural da Biblioteca Central da PUC-PR, em Curitiba, uma exposição de arte por computador. A mostra de quadros criados usando como instrumento o computador possui uma série geométrica, outra tipográfica, ainda uma de intervenção sobre fotos pescadas na Internet e linhas que se transformam em figuras.
O artista é um crítico otimista com relação à entrada do computador nas artes. ‘‘Com a informática, uma época está se fechando e outra está se abrindo. Os pessimistas dizem que é para pior, os otimistas dizem que vai ser bem melhor. Eu sou otimista, mas acho que só melhora se mudar o rumo para onde estamos indo’’, afirma Gorosito.
Para ele, o homem deve tomar consciência de sua característica natural e por aí achar o caminho. ‘‘O homem deve se voltar à natureza’’, proclama, citando Millor Fernandes, que diz: ‘‘eu gosto do computador, mas também gosto de apreciar a natureza’’. O artista nota que o poderio industrial é passageiro. ‘‘Nada mais significativo do que o mato tomando conta do que antes eram grandes fábricas, mostrando que o poderio industrial não é tão poderoso’’.
Criatividade A interferência do computador nas artes, portanto, deve refletir o processo da natureza pois não é nada sem a criatividade da pessoa que o comanda. ‘‘Há muita coisa a explorar na arte com o computador, mesmo sendo recriadores. O computador permite uma síntese de tudo, ao mesmo tempo que destrói tudo’’, explica e faz uma comparação com Picasso: ‘‘Picasso destruiu a figura, lhe cortou em pedaços para depois refazer, recriar tudo com a consciência de sua época, com sua vivência’’.
Ele encara a oposição, a resistência à entrada do computador nas artes como um inevitável choro. ‘‘Quando uma coisa morre, as pessoas choram, mas é bom chorar para velar o que está morrendo. Então, depois, as pessoas estarão livres para a coisa nova que chega’’.
Entre as obras expostas está a manipulação de imagens que Gorosito ‘‘pescou’’ da Internet. Entre estas, está uma foto do escritor argentino Bioy Casares. ‘‘Ele fica sendo apenas uma referência pois eu mexo tanto na foto que se torna quase irreconhecível. Ninguém precisa saber quem é ele para gostar da obra, embora quem o reconhece tem uma informação a mais para se apoiar’’. Há ainda um cacho de uvas que se transforma em caveira, duas lésbicas se beijando que recebem um tratamento delicado.
Na apresentação da exposição, Enrique A. P. Centeno escreveu: ‘‘Um tema vira uma sucessão infindável de possibilidades criativas, onde a angústia de não poder finalizar caminhos está presente a todo instante, mostrando que a expressão continua sendo o maior valor humano, independente da media que utilize’’.
Centeno finaliza com uma frase definitiva sobre a obra de Gorosito. ‘‘...sua obra impacta criando-nos uma sensação de impavidez diante da experiência de sermos observadores de uma maneira de pensar e trabalhar em que adota um temperamento intermediário entre o criar e o recriar, usando técnicas que representam a busca constante da manifestação de um spiritum que humaniza a todo instante aquilo que nas mãos de mortais usuários de um computador pode ser algo frio e desprovido de arte’’.
Ainda na apresentação da exposição, o artista escolheu duas frases para fazer a síntese de seu pensamento. ‘‘Eu não procuro, encontro’’, é a primeira, assinada por Pablo Picasso. ‘‘Se a arte deve expressar o tempo em que se vive, nada melhor do que o computador para representar o nosso tempo’’, é a segunda, assinada por José Maria Gorosito.
•Exposição de arte feita com computador - por José Maria Gorosito. Abertura hoje, às 19 horas, no Espaço Cultural da Biblioteca Central da PUC-PR. A mostra permanecerá aberta até 30 de dezembro, podendo ser visitada de segunda a sexta-feira, das 8h às 22 horas e aos sábados, das 8h às 12 horas.

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