Tika Tiritilli/DivulgaçãoCena de ‘‘Opus Profundum’’, cartaz do GuairãoA viúva inconsolável, o doutor que ‘‘nomeia até ministros por telefone’’, o malandro do morro que como ninguém sabe conquistar teimosos corações. Nelson Rodrigues com seus tipos talhados a ferro e fogo estão na comédia ‘‘Viúva Porém Honesta’’, cartaz do 6º Festival de Teatro de Curitiba, que estréia hoje e permanece até amanhã no Teatro Fernanda Montenegro.
Como um contraponto, para quem prefere outros climas, o FTC programou ‘‘Opus Profundum’’, no Guairão. É uma ‘‘peça-festa-manifesto-show’’, segundo a definição dada pelo grupo. Também com estréia nesta noite e término amanhã. Os interessados devem ser rápidos no gatilho, sob pena de ficarem na saudade.
‘‘Viúva Porém Honesta’’, um dos títulos mais famosos da obra rodrigueana, aborda sem piedade as mazelas sociais e suas pequenas corrupções, os defeitos escondidos e maquiados. Em alguns momentos beira o escracho. Por desmascarar aquilo que está latente na hipocrisia humana, Nelson Rodrigues mantém-se atual.
A comédia envolve um ‘‘gângster da imprensa’’, J.B. de Albuquerque Guimarães, que se gaba de nomear até ministros por telefone, que está desesperado com a depressão vivida pela filha Ivonete. Desde que enviuvou, a jovem senhora nunca mais sentou. Permanece de pé, inconsolável, junto do túmulo do marido. No entra e sai dos personagens aparece Diabo da Fonseca, homem do morro, apaixonado pelo samba e futebol, que sonha um dia conseguir o amor de uma viúva, porém honesta.
Silvana AbreuCena de ‘‘Viúva Porém Honesta’’, cartaz do Teatro Fernanda Montenegro
OpusDionísio Neto é o autor e diretor de ‘‘Opus Profundum’’. A peça é a segunda da Trilogia do Rebento, um projeto do autor que no 6º FTC trocou as bolas. O segundo espetáculo da trilogia é o primeiro a ser mostrado. ‘‘Perpétua’’, que inaugurou a trilogia, estréia segunda-feira no Guairinha. Um terceiro título continua inédito.
‘‘Opus Profundum’’ fala basicamente da solidão dos habitantes das grandes cidades, misturando atores com bailarinos do grupo Unidade Móvel. Tem muita música e dança, e uma banda no palco formada por guitarra, bateria, baixo, teclados e vocal. A ala jovem do público que dá seu apoio ao festival, deverá preferir esta montagem.
O espetáculo enfoca o vazio em que vivem três mitos urbanos, numa metrópole virtual: um fã obcecado por uma atriz de cinema, Carnavale, e um fotógrafo ‘‘podrera-hype’’, Pascoale. O fã consegue convidar a artista para uma festa, valendo-se da Internet.
Apesar de a música ser um dos elementos principais da peça, a platéia não verá no palco um musical nos moldes da Broadway e Hollywood. ‘‘A fusão é outra’’, avisam os promotores. Tem o pop internacional com o rap, o samba, funk e o maracatu atômico, produtos essencialmente nacionais. O espetáculo Dionísio Neto dedica à memória de Chico Science e o texto à atriz Samantha Monteiro.
Cartazes de amanhãO 6º Festival de Teatro de Curitiba prossegue amanhã com ‘‘Viva o Povo Brasileiro’’, com texto de Bartolomeu Campos Queirós, concepção, roteiro e direção de Regina Bertola. Quase uma ópera popular, tem pouca fala e muito canto: indígena, africano, religioso, folclórico e de Milton Nascimento, Chico Buarque, Tom Jobim, etc. Amanhã e dia 16 no Teatro da Reitoria.
Às 11 horas, na Boca Maldita, a Trupe Romançal de Teatro, dirigida pelo festejado Romero de Andrade Lima, leva ao distinto público ‘‘O Auto do Rico Avarento’’. Espetáculo que segue a rigorosa tradição dos autos medievais, muito populares no Nordeste. Entes do bem e do mal entram na história, repleta de música e dança levadas a termo pelos atores.
Um toque internacional à mostra será a apresentação do ‘‘Grand Hôtel des Étrangers’’, com um grupo canadense de vanguarda. Teatro, cinema e poesia misturam-se a efeitos visuais para contar a história de um homem só, posto em confronto com sua solidão, fantasias e fantasmas. O surrealismo é das marcas mais fortes do grupo, e a riqueza dos efeitos técnicos contribuem para dar vida ao enredo, e não somente para distrair a platéia. Amanhã e dia 16 no Guairão.
q Opus Profundum - texto e direção de Dionísio Neto. Musical conta a história da solidão nas grandes cidades. No Guairão, hoje às 21h30 e amanhã às 20 horas. Ingressos: R$ 17,00 e R$ 10,00 (estudantes).
q Viúva Porém Honesta - de Nelson Rodrigues, direção de Marco antonio Bráz. No Teatro Fernanda Montenegro, hoje às 21h30 e amanhã às 20 horas. Ingressos: R$ 17,00 e R$ 10,00 (estudante).

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