Da Redação
A 13ª edição dos ‘‘Encontros da Imagem’’, que acontece em Braga, Portugal, expõe a coleção ‘‘Yanomami’’, da fotógrafa Cláudia Andujar, pertencente ao Museu da Fotografia Cidade de Curitiba. Composta por 80 fotografias, a mostra é um documento sobre a vida cotidiana e a alma do povo Yanomami.
A mostra ‘‘Yanomami’’ ficará exposta no Mosteiro de Tibães, onde permanece até o dia 30 de maio. Depois, a mesma coleção irá para a Espanha, onde participa, de 16 de junho a 18 de julho, do ‘‘Festival Internacional de Fotografia PhotoEspa¤a 99’’. Há convites para exposição da coletânea também em Roma, Paris e Oslo.
‘‘Encontros da Imagem’’ é um dos mais tradicionais eventos de fotografia do circuito europeu. A edição de 1999 é composta por 30 exposições que têm como tema central a idéia de memória, conceito intimamente ligado à fotografia. Na concepção do curador Rui Prata, as fotografias de Cláudia Andujar enquadram-se na categoria do ‘‘documentalismo moderno’’.
Segundo Prata ‘‘esta coleção é de grande valor documental, por resguardar em imagens uma das civilizações que estão condenadas a desaparecer’’. O trabalho de Cláudia foge do fotojornalismo tradicional porque registra com profundidade e chega ao âmago dos valores culturais desse povo.
Cláudia Andujar nasceu na Suíça, passou a infância na Hungria, morou nos Estados Unidos e está radicada no Brasil desde 1957. Naturalizada brasileira, Cláudia atuou como repórter fotográfica para várias revistas e publicações, antes de fotografar os Yanomamis, a partir de 1972. Foi a fundadora e até hoje atua na Comissão pela criação do Parque Yanomami, que iniciou a campanha pela demarcação das terras indígenas.
No início dos anos 70, foi contratada pela revista ‘‘Realidade’’ para realizar uma ampla reportagem sobre a Amazônia. Foi então que teve o primeiro contato com os Yanomamis, o que despertou o seu interesse para conhecê-los melhor.
Obteve uma bolsa da Fundação Guggenheim para levar adiante o seu projeto de registro e, principalmente, de defesa daquela sociedade. Cláudia continuou fotografando os Yanomamis por muito anos, inclusive registrando os efeitos do contato com o homem branco, intensificado a partir dos anos 80 e 90, com a presença dos garimpeiros.
No segundo semestre do ano passado, durante a 2ª Bienal Internacional de Fotografia, as fotos estiveram expostas no Museu Metropolitano de Arte, em Curitiba. Foi nessa ocasião que a Fundação Cultural de Curitiba adquiriu a coleção para o recém-inaugurado Museu da Fotografia.

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