Porto, o vinho mais conhecido de Portugal
Última parada: sempre em direção ao Norte, o visitante chega finalmente à cidade de Porto, a segunda maior de Portugal e que deu o nome ao vinho do país mais famoso no mundo inteiro. O vinho é feito no Alto Douro e envelhecido em Vila Nova de Gaia, que fica ao lado da cidade do Porto, do outro lado do Rio Douro.
Porto possui grandes restaurantes porém, mais uma vez, as pequenas tascas podem ser a melhor opção. O lugar certo para provar um caldo verde com uma broa de milho e muitas receitas de bacalhau do Minho. As marisquerias, com seus camarões, polvos, lagostas e mariscos, são irrecusáveis.
Para os mariscos e também para a sardinha na brasa, o Vinho Verde é o mais recomendado. ''Ele tem uma ótima acidez, o que favorece a combinação com os frutos do mar. A cidade do Porto é praticamente cercada pela região do Vinho Verde, a maior do país. Perto de um quarto da produção total do país é de Vinho Verde. O Verde tinto é difícil, rascante e duro. O branco costuma ter pouco álcool, alta acidez e um pouco de gás, que dá a agulha, sensação de picar a língua'', explica Galvão.
As grandes marcas, como Aveleda, Messias, Gatão, Acácio, Lagosta e Casalinho, são as mais conhecidas. ''Mas hoje estão aparecendo alguns produtores que plantam as uvas e fazem os vinhos, como nos châteaux de Bordeaux. Esses vinhos de quintas costumam ser mais atraentes, frutados e gostosos. São vinhos como Palácio da Brejoeira (Alvarinho), Casa de Cabanelas, Casa de Sezim, Tormes, Paço d'Anha, Paço do Teixeiró, Quinta de São Claudio e Grinalda'', destaca Saul.
Finalmente, no Alto Douro, o Vinho do Porto e os da denominação Douro fecham a maratona em Portugal. Os dois são feitos na mesma região, com as mesmas uvas, mas com métodos diferentes. Para fazer o Douro, apenas a fermentação normal, na qual o açúcar contido no mosto é transformado em álcool.
Já o Porto é um vinho fortificado. Durante a fermentação alcoólica é acrescentada a aguardente vínica. A graduação sobe para perto de 20 graus e a fermentação pára. O açúcar que iria se transformar em álcool fica no vinho, que é doce.
Os tintos de mesa não fortificados da denominação Douro são ótimos. Alguns deles estão entre os melhores do país, como o Barca Velha, da Sogrape, que provavelmente foi o melhor vinho de Portugal, mas que hoje tem na região muitos competidores como o Quinta do Cotto Grande Escolha, Redoma, Quinta do Fojo e Duas Quintas Reserva.
Os vinhos do Porto mais simples (Ruby) podem ser servidos como aperitivo. Os melhores ficam para o fim do jantar. Eles podem ser divididos em duas grandes famílias: a dos Vintages e a dos envelhecidos em grandes pipas na origem.
''O Vintage é envelhecido na própria garrafa. Um vinho de classe, feito apenas em bons anos e que precisa de uns 10 a 15 anos para começar a demonstrar suas qualidades. Uma vez aberto, deve ser bebido, não pode ficar na garrafa. Já os envelhecidos em cascos podem ficar na garrafa aberta durante um bom tempo'', ensina Galvão.
Dessa grande família dos envelhecidos nas grandes barricas de madeira, os do tipo Ruby são os mais ligeiros, bons para o aperitivo. Depois, vêm os Tawnies, os aloirados que ficam mais claros conforme envelhecem. Há ainda o Colheita, feito com uvas de um ano só, porém envelhecido nas barricas e não nas garrafas como o Vintage. Late Bottled Vintage, Vintage Character e Crusted Port são outros tipos do Porto.





