Porto das Barcas é ponto de base para quem visita a região
São Paulo - O colorido e gracioso centro histórico de Parnaíba funciona como base de apoio para quem visita a região. Muito por sua importância para o Estado, claro. Mas também pelo fato de as agências de turismo terem escolhido o Porto das Barcas para montar seus escritórios.
Esse porto que testemunhou o surgimento da cidade, 300 anos atrás, por muito tempo recebeu os navios a vapor que chegavam da Europa e, depois, voltavam ao Velho Continente cheios de produtos derivados da pecuária. Em especial, o charque. O Piauí era o maior produtor de gado das porções Norte e Nordeste do Brasil, diz Claudete Maria Miranda Dias, historiadora da Universidade Federal do Piauí.
O Porto das Barcas está na história de um dos grandes líderes indígenas do Nordeste. Manduladino, da tribo dos tremembés, foi separado de sua família para ser educado por jesuítas. Mais velho e revoltado com o domínio português, organizou um levante contra a cidade na década de 1750, conhecido como a rebelião do Norte.
Assustados com o ataque dos tremembés, os portugueses tiraram de lá a imagem de Nossa Senhora de Monte Serrathe, símbolo da colonização. A santa estava na capela de mesmo nome, na Rua Duque de Caxias. Erguida em 1711, é a construção mais antiga de Parnaíba. A estátua foi levada para a cidade de Piracuruca, a 125 quilômetros do litoral, onde está até hoje. Manduladino não teve sorte. Capturado pouco depois da invasão, foi executado na região do Porto das Barcas.
Perto do porto, a Igreja de Nossa Senhora das Graças abriga o túmulo de outra personalidade decisiva para a história piauiense. Simplício Dias, um grande fazendeiro de Parnaíba no século 19, foi o principal articulador do movimento de independência no Estado. (L.F./Agência Estado)





