Portinari ganha portal reformulado
PUBLICAÇÃO
quarta-feira, 20 de fevereiro de 2013
Trajano Pontes<BR>Folhapress 
São Paulo - "Os brasileiros somos assim." Este é, segundo João Candido Portinari, a mensagem da obra de seu pai, o pintor Candido Portinari, ao povo brasileiro. Segundo ele, o recado nunca chegou de fato ao destinatário planejado, já que 95% das obras do paulista estão em coleções privadas.
A partir de hoje, a internet ajuda a lançar luz sobre a vida, a obra e o tempo de um dos mais célebres artistas brasileiros. Todas as cerca de 5.100 obras catalogadas do paulista estão no portal reformulado do Projeto Portinari, que entrou no ar à meia-noite no endereço www.portinari .org.br
Há 33 anos, João dirige a Associação Cultural Candido Portinari, de difusão do legado do pai. Ele diz que nutriu, no passado, a esperança de construir um museu dedicado ao pai, ideia abandonada pelo alto valor atual dos originais. A solução encontrada foi a digitalização.
Mural vivo
Além das obras, o portal conta com outros 25 mil itens, incluindo cartas, fotografias, periódicos e depoimentos sobre Portinari e contemporâneos seus - entre eles, Carlos Drummond de Andrade, Oscar Niemeyer, Lúcio Costa e Luís Carlos Prestes.
Segundo Maria Duarte, coordenadora geral do projeto do site, a novidade está no mural de obras do pintor, exposto na página inicial, que guia e se molda às buscas realizadas pelos usuários.
"É possível filtrar por cor ou tema das obras, ou fazer uma busca pelas palavras 'pipa e menino', por exemplo. O mosaico ajusta-se para refletir a busca. Quanto mais intuitiva for a navegação, mais facilmente se chegará ao grande público."
Segundo ela, o redesenho do banco de dados e o desenvolvimento do portal consumiram cerca de R$ 400 mil. Entre R$ 500 mil e R$ 600 mil anuais com pesquisadores e gestores do projeto, patrocinado pelo Ministério da Cultura e pela Queiroz Galvão Exploração e Produção.
João defende a atualidade e a necessidade de difusão da mensagem de seu pai. "É uma mensagem humanística, de solidariedade e espírito comunitário. Divulgá-la é passar cidadania. Não há cidadania sem memória e não há memória sem arte."


