ReproduçãoVendedor de passarinho - óleo/madeiraCândido Portinari tinha a benção de, quando retratava o povo brasileiro, não apenas escolher bem as tintas e saber manejar um pincel como ninguém. Portinari, quando pintava, conseguia capturar a alma de um país. Curitiba está recebendo hoje, as exposições ‘‘O Brasil de Portinari’’ e ‘‘Portinari e Contemporâneos’’, ambas no Memorial de Curitiba.
O Projeto Portinari, que traz ao Paraná - a exposição também compreende a cidade de Maringá - a mostra ‘‘O Brasil de Portinari’’ é patrocinada pela Petrobrás. Consiste em 50 réplicas de obras do pintor feitas por sistema digital com boa definição, abordando aspectos da cultura brasileira, retratos e temas sociais, históricos e religiosos.
Esta exposição faz parte de um projeto de divulgação da obra do genial artista brasileiro. Para isso, são promovidos convênios com prefeituras e escolas municipais e estaduais que levam alunos para conhecer os quadros, auxiliados por monitores especialmente treinados. As crianças podem ao mesmo tempo aprender um pouco de pintura e de história do Brasil.
ReproduçãoRetrato de Denise com carneiro branco - óleo/madeira
A mostra ‘‘Portinari e Contemporâneos’’ terá 13 obras do pintor, em diversas técnicas, pertencentes ao acervo da Fundação Cultural de Curitiba. Além disso, estarão também expostos 11 trabalhos de artistas que foram contemporâneos ou tiveram alguma proximidade com o pintor, como Carlos Scliar, Di Cavalcanti, Augusto Rodrigues, Roberto Burlemarx, Eugênio Sigaud, Quirino Compofiorito, Edith Behring e Oswald Goeldi.
PortinariCândido Portinari nasceu no pequeno município de Brodósqui, interior paulista, na Fazenda Santa Rosa, em 1903. Começou a desenhar na escola, como ele mesmo lembrou em um texto: ‘‘Na aula, o professor mandava que desenhasse não importava o quê e fizesse a descrição. Desenhei um leão e o desenho foi comentado pelos professores e pelos alunos. Não me deixaram mais em paz, tive que desenhar a capa das provas a serem expostas no fim do ano’’.
O texto acima foi escrito em setembro de 1958, quando o artista estava em Paris, com 55 anos. Foi também na ‘‘Cidade Luz’’, 28 anos antes, que Portinari decidiu que iria pintar as coisas e cores do Brasil. Ele estudava na França, aos 27 anos, quando escreveu a uma colega a sua declaração de intenção que ficou conhecida como ‘‘Carta do Palaninho’’.
Palaninho e Figueiredo Eis alguns trechos da carta: ‘‘...Palaninho é da minha terra, de Brodósqui (...) Vim conhecer aqui o Palaninho, depois de ter visto tantos museus, tantos castelos e tanta gente civilizada (...) Aí no Brasil eu nunca pensei no Palaninho (...) daqui fiquei vendo melhor a minha terra - fiquei vendo Brodósqui como ela é. Aqui não tenho vontade de fazer nada (...) Vou pintar aquela gente com aquela roupa e com aquela cor...’’.
ReproduçãoPaz (detalhe) - óleo/madeira
Pois foi a nossa gente, com a nossa roupa e com a nossa cor que Portinari pintou ao regressar. Ou, como escreveu o escritor Guilherme Figueiredo: ‘‘O menino Cândido Portinari saiu da minha terra com papel e cores em punho para a imensa aventura de pintar uma pátria. Pintá-la, não: criá-la de uma realidade ignorada, mostrá-la aos quatro cantos do mundo, contorcida, ofegante, opressa, inaugural, como a dizer-lhe: somos assim...’’.
E Figueiredo continua: ‘‘Um dia, seremos apenas os farrapos de narrativa de nossa existência. E mãos ávidas, mãos sábias do futuro virão recompor o que fomos, virão surpreender-se de nós. E do pó que seremos, retirarão o que beberam aqueles olhos e o que se escapou por aqueles dedos. E saberão que neste lugar existimos, porque ele inventou a nossa realidade...’’.
O pintor que retratou nossa alma morreu com apenas 59 anos de idade, em 1962, no Rio de Janeiro. Mas deixou 4.600 obras catalogadas que se espalharam pelo mundo tornando muito difícil a realização de uma mostra significativa do trabalho do artista. Estas 50 réplicas digitais que receberam inclusive molduras no padrão que o artista usava, são uma grande oportunidade de ver e conhecer mais sobre a obra de Portinari.
ReproduçãoCafé - óleo/tela
qO Brasil de Portinari e Portinari e Contemporâneos - Memorial de Curitiba, no Largo da Ordem. De hoje a 5 de outubro. De segunda-feira a sexta-feira das 9h às 19h. Sábados e domingos das 9h às 17h.

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