O Arquivo Cultural de Londrina precisa do apoio da comunidade para continuar existindo. O espaço está com seus dias contados. Segundo a artista plástica Wania Tibery, presidente da Associação de Artistas Plásticos de Londrina, foi dado um prazo até 1º de abril para que instituições assumam os custos do Arquivo.
A notícia foi passada em uma reunião realizada em Londrina na semana passada onde estiveram presentes representantes da Associação Cultural do Banestado, da Associação de Artistas Plásticos e da Universidade Estadual de Londrina. A Secretaria Municipal de Cultura não enviou nenhum representante.
Com o processo de privatização do Banestado, a política de investimento em cultura da instituição estaria sofrendo algumas alterações que implicariam em não manter mais imóveis destinados a este setor. O chefe de gabinete do Banestado, Nestor Bueno, que poderia esclarecer melhor o assunto não pôde dar entrevista por estar em reunião.
Durante a conversa realizada em Londrina, segundo Wania Tibery, foi ressaltado que a comunidade de Londrina teria que encontrar uma solução até o dia 1º de abril. Esta solução implicaria em conseguir que instituições da cidade assumissem os gastos do Arquivo, que é sediado na antiga casa da família Roehrig, na Avenida Higienópolis, 150. ‘‘Caso contrário o prédio será esvaziado’’, afirma Wania Tibery.
A artista plástica afirma que o tempo é muito curto para resolver a questão. ‘‘Enviamos uma carta à presidência do banco pedindo um prazo de dois meses para apresentarmos uma solução. Em poucos dias não conseguimos encontrar uma forma de resolver o problema’’, diz Tibery. Segundo ela, por enquanto se espera uma resposta para o pedido de prorrogação do prazo.
A artista plástica Iara Strobel, que coordenou o Arquivo durante os seus poucos meses de existência - setembro a dezembro de 1998 - afirma que espera uma reação da comunidade. ‘‘Londrina só vai ter o Arquivo se o merecer’’, afirma.
Segundo Strobel, existem instituições como universidades, Associação Comercial e Industrial - Acil - e Sociedade Rural, entre outras, que podem tomar a frente da situação para dar continuidade a este projeto de registro da história de Londrina e centro de referência cultural da cidade. ‘‘Eu não vou mais administrar, vou apenas participar como colaboradora’’, diz.
Com isto Iara Strobel explica que espera que a comunidade tome a frente do Arquivo Cultural, porque ela não o fará. A artista plástica diz que não considera estar abandonando um projeto que ajudou implantar. ‘‘O Arquivo tem que ser autônomo’’, justifica.
Grazia Veronesi também assegura que a única solução para o caso é instituições representativas da cidade assumirem o local. ‘‘As universidades, Sociedade Rural, Rotary e Acil podem muito bem manter este projeto vivo’’, completa. Ela acrescenta que também está à espera da reação da comunidade para que alguma estratégia de ação seja traçada.
‘‘Espero que os interessados se movimentem em prol do Arquivo. Eu sozinha não posso fazer nada. É preciso que várias pessoas juntas tomem uma atitude’’, afirma. Segundo a artista, não é possível continuar reclamando apenas. ‘‘Por que nós mesmos não enfrentamos esta situação? Por que não criar uma fundação mantida por nós?’’, questiona. Grazia faz ainda uma sugestão para que londrinenses doem uma quantia em dinheiro. ‘‘Três mil pessoas doando R$ 5,00 por mês seria o suficiente.’’
A idéia de Grazia Veronesi é que as pessoas entrem em contato com ela para dar outras sugestões e procurar uma solução. ‘‘Um povo sem registro de sua cultura é um povo sem alma’’, finaliza.
O diretor da Casa de Cultura da UEL, professor Alcides de Carvalho, acredita que uma forma de não deixar morrer o Arquivo é firmar uma parceria com a Prefeitura de Londrina, através da Secretaria de Cultura, junto com a Universidade Estadual de Londrina.
‘‘Com o apoio financeiro das entidades da cidade, a UEL junto com a Secretaria poderia dar continuidade ao Arquivo’’, considera. ‘‘Para isto seria necessário que no próximo ano os projetos referentes ao Arquivo fossem aprovados pela Lei Municipal de Incentivo à Cultura’’, afirma. A secretária Angela Marçal foi procurada pela Folha2, mas está viajando. As pessoas interessadas em colaborar podem entrar em contato com Grazia Veronesi através dos números: 321-4440, 321-2526 ou 322-5374.Arquivo FolhaMantido pela Associação Cultural Banestado, o Arquivo Cultural está ameaçado com a privatização do bancoÉrika Pelegrino

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