O novo filme do diretor Bruno Barreto, ‘‘Srta. Simpson Com Açúcar e Com Afeto’’, já garantiu uma porta para o mercado internacional antes mesmo de estar pronto. ‘‘Foi o primeiro filme brasileiro comprado ainda no roteiro para a distribuição internacional’’, gaba-se o diretor. ‘‘Srta. Simpson’’ teve os direitos de distribuição comprados pela Sony Pictures Classics, uma divisão da Sony Entertainment que também engloba a Columbia Tri Star Pictures e a Sony Music, que já se mostrou interessada em lançar a trilha sonora do filme. Além dos direitos de distribuição, a Sony Pictures Classics investiu US$ 2,5 milhões dos US$ 6 milhões gastos na produção do filme. ‘‘Comprar um filme no roteiro é vantajoso porque podemos cuidar de todos os detalhes para traçar uma estratégia de venda’’, raciocina o diretor da Sony Pictures Classics, Michael Barker.
A intenção era lançar Srta. Simpson em 11 de fevereiro nos Estados Unidos - Dia de São Valentino, quando se comemora o dia dos namorados por lá -, mas o filme só deverá estar pronto para lançamento internacional em junho. Mesmo assim, outras estratégias estão sendo pensadas. ‘‘Os figurinos são ótimos e podemos pensar numa campanha com uma loja de departamentos’’, calcula Barker. O principal atrativo do filme, no entanto, segundo o diretor da Sony Pictures Classics, é o clima tipicamente carioca.
‘‘Srta. Simpson’’ é uma comédia romântica que usa várias locações no Rio de Janeiro. Na trama, Amy Irving vive a personagem-título, uma ex-aeromoça que dá aulas de inglês para complementar o orçamento. Viúva há dois anos, Srta. Simpson não encontra ninguém que consiga despertá-la da letargia emocional. A professora, no entanto, povoa a imaginação erótica dos alunos. A história corre monotonamente até que a Srta. Simpson encontra Pedro Paulo, vivido por Antônio Fagundes, um advogado que está terminando um relacionamento de sete anos com Tânia, papel de Débora Bloch. Começam, então, os encontros e desencontros.
A proposta de colocar uma professora de inglês no papel principal dá ao filme a oportunidade de ser falado em duas línguas. ‘‘Mas quero deixar claro que não existe porteiro de prédio falando inglês. As situações bilíngues são naturais’’, ressalva Bruno. No elenco, os únicos americanos são Amy Irving, mulher do diretor e ex-senhora Spielberg, e o ator Stepehn Tobolowsky. O resto do elenco navega entre o português e o inglês. ‘‘Essa é uma das maiores dificuldades do filme para mim’’, admite Antônio Fagundes. Para tornar a parte inglesa dos diálogos compreensível para uma audiência americana, o elenco está tendo aulas com a americana Barbara Harrington, que fez o mesmo trabalho em ‘‘O Que é Isso Companheiro?’ e ‘‘For All - O Trampolim da Vitória’’. ‘‘É um trabalho feito individualmente, até porque o nível de inglês de cada ator é diferente’’, argumenta Barbara.
O pior dos alunos, no filme e na realidade, é o ator Alexandre Borges, que vive um dos estudantes que tem aulas com a Srta. Simpson. ‘‘Ele não sabe nada’’, delata Barbara. A solução é empregar o alfabeto fonético, fazendo com que Alexandre aprenda a falar a língua pelos sons. Já Fagundes não chega a ser um expert, mas consegue se safar bem no idioma e se diverte quando os atores americanos se desesperam para falar as parcas palavras em português do script. ‘‘É como se eles estivessem nus. Para falar um ‘tudo bem’ se atrapalham todos’’, observa Fagundes.
O esforço da língua é para garantir um bom resultado internacional. ‘‘É importante o cinema brasileiro se abrir para o mundo’’, acredita o diretor Bruno Barreto. O diretor já pôde provar uma pequena parcela desse mercado quando teve seu filme ‘‘O Que é Isso Companheiro?’ indicado para o Oscar. ‘‘O filme teve melhor repercussão no exterior do que aqui no Brasil’’, avalia Bruno. Nos Estados Unidos, ‘‘O Que é Isso Companheiro?’ faturou US$ 600 mil só de adiantamento da Miramax, que comprou os direitos de distribuição do filme no mercado internacional. No Brasil, os 270 mil espectadores do filme deixaram nas bilheterias dos cinemas pouco mais de R$ 1 milhão.

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