Porque podemos votar confiantes na evolução da nossa democracia
As primeiras urnas eram de madeira, depois passaram a ser de lona e agora são eletrônicas, permitindo votar em minuto
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quinta-feira, 22 de outubro de 2026
As primeiras urnas eram de madeira, depois passaram a ser de lona e agora são eletrônicas, permitindo votar em minuto
Domingos Pellegrini 

Setentão não preciso mais votar, mas amanhã meu voto vai ser de apoio à evolução da democracia que vi e vejo desde menino.
Aos dez anos em 1960 vi Jânio Quadros ser eleito presidente e gente festejar pelas ruas, e depois de sete meses vi sua renúncia e gente festejando pelas ruas, e então entendi que precisava entender aquilo...
Rapazola, diante da Pensão Alto Paraná de meus pais, vi eleitores sendo tratados e se deixando tratar como gado, subindo em carroceria para serem levados a votar em vários locais. Perguntei como voltariam e a resposta foi que votariam e depois esperariam o caminhão para voltar, por isso cada um já levava um embrulho com sanduíche. Noutras eleições veria táxis contratados por candidatos para transportar eleitores durante todo o dia de votação, e um taxista até revelaria que alguns colegas esvaziavam em suas casas o tanque de gasolina, para encher novamente às custas do candidato, assim uma corrupção da corrupção já embutida na eleição...
Depois, jovem eleitor, chegaria a seção eleitoral pisando em ruas e calçadas forradas de “santinhos” de propaganda dos candidatos, entregues por muitos cabos eleitorais nas imediações.
Na véspera de eleição, os estoques sobrados de santinhos eram jogados nas ruas por caminhonetas até com crianças a festivamente lançar mãos-cheias daquilo, como aulas de deseducação cívica. A Rua Pará onde moravam meus nonnos chegou a queimar, e foi uma correria para retirar carros e lançar baldes de água nas chamas.
O nonno José até sentenciou: - É a eleição pegando fogo...
Vi/ouvi também os comícios eleitorais com shows, infernizando bairros com som altíssimo. Mas na ditadura vi a propaganda eleitoral gratuita nas tevês só com foto dos candidatos, portanto mudos, como a atestar o temor da ditadura pela democracia.
Em 1959, quando a célula eleitoral era papel onde o eleitor escrevia o nome do candidato, a rinoceronte Cacareco teve mais de 100 mil votos para vereadora em São Paulo, como em 1988 o macacão Tião teria 400 mil votos para prefeito do Rio de Janeiro. E as fraudes eram habituais com os votos escritos, das mais variadas e criativas até as mais grosseiras formas.
As primeiras urnas eram de madeira, depois passaram a ser de lona e agora são eletrônicas, permitindo votar em minuto, e quem desconfia que são fraudadas é porque não conhece seu processo industrial e operacional.
Qualquer fraude teria de ser programada já na urna antes da eleição, o que exigiria cooptar todos os funcionários envolvidos no processo.
Apesar dessa evolução, as tecnologias de comunicação servem para muita desinformação eleitoral, até com fakes falsificando imagem e voz de candidatos. Há profusão de canais dedicados a enganar, confundir e mentir, mas essa mesma profusão cria o descrédito que vai ensinando a suspeitar e selecionar, assim merecendo a democracia.
Então é por tudo isso que meu voto amanhã vai ser de confiança na evolução da democracia brasileira.


