'Porque perdi meu Oscar', por Eddie Murphy
Em outras circunstâncias, filmes como este ''Turistas'' (aqui no alto da página) e este ''Norbit'' aqui em baixo não mereceriam nada além de meia dúzia de linhas. Ou de caracteres, se caráter houvesse nos dois casos. Mas o forçado imbróglio internacional que acompanhou o primeiro título e a incrível falta de visão e de sensibilidade de um ator como Eddie Murphy autorizam e impõem espaço pouco maior. Não muito, apenas o suficiente.
A esta altura, nenhum dúvida resta de que a Academia decidiu punir severamente Murphy, candidato ao Oscar de coadjuvante por ''Dreamgirls''. O monumento ao mau gosto chamado ''Norbit'', que chega hoje ao circuito brasileiro (confira a programação de cinema na página 2), estreou nos Estados Unidos na semana que antecedeu a cerimônia de entrega das estatuetas, com os votos ainda a caminho das urnas. E os colegas que pensavam em eleger Murphy melhor coadjuvante do ano pelo ótimo trabalho no musical não tiveram dúvida, e com certeza mudaram o voto na última hora, optando por Alan Arkin. Duro e bem aplicado castigo.
''Norbit'' é inominável. É um filme absolutamente desprovido de engenho, de carisma, de humor, de graça. E de cinema. Diante do filme, uma certeza vai tomando proporções aterradoras: ele foi feito com o decidido propósito de humilhar sistematicamente suas criaturas. Aqui inclusive está ausente aquele certo grau de profissionalismo que Murphy imprimiu em comédias igualmente grossas e escatológicas como ''Professor Aloprado'' e ''Dr. Doolittle'' - não que isto absolvesse os dois citados, mas servia pelo menos como atenuante.
Norbit é um garoto sem pais algo abobado, abandonado num orfanato dirigido por um chinês (Eddie Murphy). O menino cresce (Murphy, de novo), e pressionado se casa com uma desumana mulher obesa, Rasputia (Murphy, outra vez !) que o protegeu ao longo dos anos. Mas ele é secretamente apaixonado por uma bela órfã (Tandie Newton, coitada), que tem um noivo (Cuba Gooding Jr.). E por aí roteiro e filme descem a ladeira, inflacionados por previsibilidade, mesquinharia e misoginia- que coisa mais tristemente imprópria, para dizer o mínimo, esta estréia logo na semana dedicada à mulher.
Por sorte, o londrinense tem hoje como opção digna uma terceira estréia: ''Pecados Íntimos'', com o talento exuberante de Kate Winslet, que esteve na reta final do Oscar. Matéria para próxima edição. (C.E.L.J.)





