Pororoca põe paranaense no livro dos recordes
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terça-feira, 06 de setembro de 2005
Maigue Gueths<br> Equipe da Folha 
Curitiba - Na próxima semana, no dia 15 de setembro, o curitibano Sérgio Laus, de 25 anos, estará no Amapá na tentativa de surfar na última pororoca que acontece este ano no Brasil. Na mesma semana, ele deve receber das mãos do governador daquele estado, Waldez Góez, o certificado a ser enviado pelos representantes do ''Guinness Book'', o livro que reúne recordes mundiais, comunicando oficialmente sua inclusão na edição de 2007.
Serginho, como é conhecido em meio aos surfistas, garantiu seu ingresso no Guinness no dia 24 de junho, depois de percorrer mais de 10 quilômetros sobre uma mesma onda, em 33 minutos e 15 segundos sobre uma prancha de surfe. Com a proeza, realizada na pororoca do Rio Araguari, no Amapá, derrubou o recorde mundial de 9,1 quilômetros, que há nove anos estava nas mãos do inglês David Lawson, que surfou a pororoca do Rio Severn Bore, no Reino Unido.
Surfista de mar desde os seis anos de idade, ele conta que sua paixão por surfar nesse tipo de fenômeno de maré chamado de pororoca no Brasil começou há cinco anos, quando saiu de Curitiba, onde mora, e viajou com amigos surfistas para participar da Expedição de comemoração dos 500 anos do Brasil. ''Eu logo vi o quanto esse fenômeno é místico e me apaixonei'', conta.
Nem mesmo um tombo, em 2003, que resultou na fratura da quinta vértebra, tirou de sua cabeça a idéia de vencer o recorde mundial. ''Eu caí, fui engolido pela onda e fiquei embaixo d'água mais ou menos um minuto. Parecia que estava numa máquina de lavar gigante'', conta. Depois de seis meses em casa, acabou retornando às pororocas.
De lá para cá, ele já conheceu as três pororocas brasileiras: no Amazonas, Amapá e Maranhão. No ano passado, viajou para a França para surfar em uma pororoca francesa, onde o fenômeno é chamado de ''nascaret'', dando início a seu novo projeto. ''Quero descobrir todos os fenômenos de maré do mundo'', conta. Sua intenção era ir ainda este ano para a China, enfrentar o fenônemo de maré chamado ''Black Dragon'', mas os planos tiveram que ser adiados para setembro do ano que vem, quando o fenômeno francês ocorre de novo, por falta de patrocínio.
Surfar em fenômenos de marés sai caro. Como é um esporte prigoso as viagens são feitas com uma equipe de apoio, que inclui um condutor de lancha, cinegrafista e fotógrafo para captar imagens, cozinheiro, entre outros. Para a China, ele calcula que seriam necessários cerca de US$ 60 mil.
A aventura que garantiu o registro no Guinness contou com cerca de 15 pessoas, incluindo o diretor-geral da Ediouro (editora que publica o Guinness Book no Brasil), e custou cerca de R$ 60 mil. Tudo começou dia 20 de junho, quando Serginho saiu de Curitiba com a Expedição Surfando na Selva rumo a Macapá (capital do Amapá). De lá, foram mais cinco horas de carro até Cutias de Araguari, onde fica a foz do Rio Araguari.
A pororoca, um tipo de fenômeno de maré, ocorre sempre nas luas cheia e nova, em duas épocas do ano: nos meses de fevereiro a maio e, depois, em setembro e outubro. Por isso, Laus, tinha poucos dias para conseguir o feito e não foi fácil. ''Por causa da viagem, acabei perdendo um dia de pororoca. E, no segundo, caí e não consegui completar o percurso'', contou.
No dia seguinte, mais uma tentativa. Em vão. ''Surfei por 15 minutos e caí. A onda é muito forte, a espuma batia na minha perna com violência e eu acabei me desequilibrando'', relata. Mesmo retornando à lancha e voltando à onda por mais 15 minutos, a marca não foi suficiente para bater o recorde mundial.
O terceiro dia de onda seria o ''tudo ou nada''. ''Tinha de ser nesse dia, porque não sabíamos se teríamos as mesmas condições para quebrar o recorde no dia seguinte'', lembra. Quando entrou na onda, Laus tentou não ficar próximo à espuma, para não se desequilibrar como nos dias anteriores. Não conseguiu. ''Lutei muito, eram galhos passando, a onda me levava para a margem'', conta. ''Durante 15 minutos, fiquei meio abaixado para não me desequilibrar.''
Quando a violência da onda diminuiu, Laus aproveitou para ficar um pouco mais ereto e quase caiu o que arruinaria as possibilidades de quebrar o recorde nesta temporada. ''Minha perna doía muito, mas me concentrei. Nessa hora o preparo psicológico foi fundamental'', diz. Ele chegou ao equilíbrio necessário e conseguiu: 10,1 quilômetros sem parar, durante 33 minutos e 15 segundos. (Com Agência Estado)


