Por uma programação mais educativa
PUBLICAÇÃO
terça-feira, 08 de março de 2011
Omar Godoy <br> Equipe da Folha 
Já estão em curso as mudanças no sistema de rádio e televisão do governo estadual. Rebatizadas de E-Paraná, as três emissoras (TV, AM e FM) atualmente passam por um processo de reestruturação, comandado pelo novo diretor-presidente, Paulo Vítola. O primeiro passo foi dado na antiga TV Educativa, que deixa de lado o tom político da gestão anterior para privilegiar uma abordagem mais cultural e, literalmente, educativa.
No último dia 20, a emissora passou a retransmitir a programação da TV Cultura de São Paulo (da Fundação Padre Anchieta), além de três horas de conteúdo cedido pela TV Brasil (do governo federal). A grade local ficará limitada a dois telejornais (um matinal e outro noturno), uma agenda cultural (no horário do almoço) e um noticiário esportivo (aos domingos).
Nos intervalos entre as atrações, vão ao ar cerca de 45 interprogamas com até dois minutos de duração, sobre temas variados - música, artes visuais, fotografia, contação de histórias, perfis de artistas locais, etc. A ideia, segundo Vítola, é estabelecer parcerias com produtoras independentes paranaenses, que já estão enviando material para a exibição.
''A E-Paraná deve ter duas preocupações: apresentar alternativas à programação das redes comerciais e formar plateia para o consumo de produtos culturais de melhor qualidade'', diz o diretor-presidente, que espera implementar este primeiro pacote de mudanças até o fim deste mês.
Mas o desafio da nova gestão não está somente no campo conceitual e criativo. Publicitário, músico, poeta e escritor, Paulo Vítola também tem pela frente algumas tarefas de administrador. Entre elas o saneamento do sistema de contratações de colaboradores das emissoras (cerca de 200) e a negociação de uma dívida anterior de R$ 6 milhões (sendo que o orçamento anual é de R$ 22 milhões).
''Não há dinheiro para investimentos agora. A ordem é arrumar a casa em 90 dias e, depois, estudar mecanismos que possibilitem o aporte de recursos públicos e da iniciativa privada'', diz Vítola, agora à frente de um sistema de 45 repetidoras, que cobrem mais de um terço dos municípios paranaenses (e com alcance nacional via parabólica).


