Por um bom acaso, Lamartine
De Lalá para Cá nasceu de uma acidente de percurso. É que, a princípio, Márcia Salomon tinha em mente gravar um disco só com clássicos do carnaval e, em seguida, um disco com algumas músicas que ela já cantava em shows. Ambos seriam lançados no mesmo ano. Antes disso, Márcia precisou arquivar um projeto de regravação de versões de sucessos internacionais que receberia o nome de Ver Sons. É que Guilherme Arantes, em seguida Cauby Peixoto, fizeram trabalhos similares, o que poderia, em termos de mercado fonográfico, chegar um tanto quanto manjado aos compradores de disco. Fiquei chateada, mas arquivei porque não tinha cacife para competir com grandes gravadoras- explica ela.
E é aí que entra a mão do destino. Para fazer o disco de carnaval, se pôs a pesquisar. E o primeiro compositor que lhe caiu às mãos foi Lamartine Babo. Encantou-se ao ponto de, junto com o produtor e compositor Costa Netto, selecionar mais de 50 músicas de Lamartine. Daí para a idéia de juntar músicas de Lamartine Babo com compositores atuais foi um pulinho. O conceito desse disco é uma visão poética e pessoal. É um ponto de vista apenas. Quero antes de tudo mostrar que a música de Lamartine é atemporal- explica ela.
Márcia Salomon, na verdade, nasceu em Piraju (SP). Mas viveu em Londrina de 64 a 81. É uma vida. E vai me dizer que não sou londrinense?- brinca ela. Aqui, ela cantou em bares, participou de festivais de músicas, e também de serenata. Eu nem sabia se queria ser cantora, apesar de minha família ser musical- conta. Mas foi em São Paulo que a coisa tomou corpo.
E eis que em 90 ela chamou a atenção do midas Roberto Menescal, durante sua apresentação no Projeto Compositores, que reunia outras cantoras mais ou menos famosas. Era a bênção que ela precisava. Aos poucos, Márcia vai se impondo como uma boa intérprete. Devagar, é verdade; mas com muito prestígio. (A.M.J.).





