Por trás do riso
PUBLICAÇÃO
domingo, 08 de janeiro de 2012
Geraldo Bessa <br>TV Press 
Dercy Gonçalves sempre é mais lembrada por seu humor temperado com palavrões do que pelos dramas sutis. Mas na contramão da imagem extrovertida criada em torno da atriz falecida em 2008, aos 101 anos, Maria Adelaide Amaral quer mostrar em ''Dercy de Verdade'', microssérie que a Globo exibe a partir do dia 10 de janeiro, as dificuldades e opiniões de Dercy ocultas em sua vida privada.
''O palavrão era puro marketing. Apesar de desbocada, ela era extremamente moralista'', valoriza Maria Adelaide, que diz que o bom desse trabalho é iluminar a vida de uma mulher forte e digna. A autora fala com propriedade sobre a homenageada, de quem se tornou amiga no início dos anos 90, quando, depois de alguns encontros, Dercy a convidou para escrever sua biografia, ''Dercy de Cabo a Rabo'', lançada em 1994. ''Não só revisitei as passagens do livro, como atualizei a história até os últimos momentos de vida dela'', conta Maria Adelaide.
Dividida em quatro capítulos, a microssérie foi proposta pela autora à direção da Globo e prontamente aceita. Com direção a cargo de Jorge Fernando - que dirigiu Dercy no teatro algumas vezes -, a produção, desde o início, também foi pensada para gerar um filme, com previsão de lançamento para 2013. Por isso, ao longo das gravações para a tevê, o diretor aproveitou para fazer cenas mais fortes, que serão vistas somente no longa. ''Tanto na tevê quanto no cinema, vamos mostrar a verdade dela sem rodeios. É o mínimo que um personagem como ela merece. Conseguimos uma equipe maravilhosa e as protagonistas irão surpreender'', aposta Jorge Fernando.
A trajetória de Dolores Gonçalves Costa, nome de batismo de Dercy, é contada em três fases. A primeira, gravada em Santa Maria Madalena - interior do Rio de Janeiro, cidade natal da atriz -, mostra a infância pobre da menina, interpretada por Luiza Périssé, filha da atriz Heloísa Périssé.
Na parte seguinte, Heloísa assume o papel da juventude até a maturidade. ''Fizemos cenas muito dramáticas e difíceis. É um trabalho muito representativo para a minha carreira. Qualquer mulher que faz humor bebeu nas águas de Dercy'', ressalta Heloísa, emocionada.
Na última fase, na terceira idade, quem se apodera da personagem é Fafy Siqueira, atriz que conviveu de perto com Dercy e que já tinha representado a comediante em ''Dalva e Herivelto - Uma Canção de Amor'', microssérie de 2010. ''Ter sido próxima dela torna tudo muito afetivo. Não tive sequer uma preparação específica, é um santo que baixa em mim. O resultado é mais energia que técnica'', conta Fafy, sobre as cenas que mostram sua impressionante semelhança com a personagem.
Ao passear pelos momentos mais importantes da carreira de Dercy, como sua estreia nos palcos, nos anos 30, as chanchadas da década de 50, e as participações na tevê ao longo de toda a vida, as equipes de figurino, cenários, maquiagem e direção de arte, tiveram o minucioso cuidado de reconstruir épocas distintas em estúdio e locações. ''Cobrir um século de vida não é fácil. Depois de uma extensa pesquisa, elaboramos cada detalhe das cenas. É um trabalho longo e feito em conjunto'' analisa Isabela de Sá, supervisora de produção de arte.
Além do lado profissional de Dercy, a microssérie também aborda seus amores. Desde Pascoal, de Fernando Eiras - o galã da companhia de teatro Maria de Castro que se tornou o primeiro marido de Dercy -, ao bondoso Valdemar, de Cássio Gabus Mendes, pai de sua única filha, Decimar, interpretada por Samara Felippo. ''Entre maridos e paixões, a filha foi a única pessoa que a Dercy amou de verdade. Já que o pai da Decimar era casado, a Dercy fez de tudo para dar do bom e do melhor para a cria'', resume Samara.
Serviço:
Dercy de Verdade - Estreia terça-feira (dia 10), às 23h, na Globo


