Por trás das lentes
Jackeline Seglin
De Londrina
Ele chegou ao Norte do Paraná na década de 30, acompanhado da mulher e cinco filhos. A intenção era trabalhar com fotografia, apesar da disposição em ser pedreiro, carpinteiro, qualquer coisa. Foi mais que isso. O fotógrafo José Juliani registrou uma parte da história de Londrina e sua obra tornou-se referência na cidade. Mais de duas décadas após sua morte, os londrinenses também poderão conhecer um pouco da vida desse homem, contada pela filha Maria Juliani de Arruda no livro Juliani Um Homem, Sua Máquina e a História de Londrina. O lançamento acontece hoje, às 20 horas, na Biblioteca Pública.
A idéia de Maria Juliani escrever o livro surgiu no dia da morte do pai, em 1976. Pensei: por que não divulgar a história pessoal, já que a obra dele era tão conhecida? Resolvi contar por que ele quis ser fotógrafo, como veio para Londrina, como foi a vida aqui, as dificuldades enfrentadas. É um resgate da história desse homem, comenta.
Por uma série de contratempos, os escritos foram engavetados. No ano passado, Maria Juliani resgatou o material e entrou em contato com a Gerência de Patrimônio Histórico-Cultural da Secretaria Municipal da Cultura, que patrocinou a edição. Com tiragem de 500 exemplares, o livro traz uma biografia romanceada de José Juliani. Como eu imaginava ser naquele tempo, diz.
Maria Juliani selecionou 102 fotografias em preto-e-branco, as mais conhecidas entre os 276 negativos de vidro arquivados no Museu Histórico Padre Carlos Weiss. Quase todas faziam parte de um álbum que meu pai montava para vender para os pioneiros depois que se aposentou, lembra.
O fotógrafo registrou fatos importantes na história de Londrina, como a chegada da Maria Fumaça, a primeira igreja católica e o primeiro jogo de tênis realizado pelos ingleses, todos em 1934. Nos anos seguintes, fotografou a visita do Príncipe de Gales e do presidente Dutra, a inauguração da estação ferroviária, a primeira missa campal, a posse do prefeito Willie Davis, entre outros.
José Juliani saiu de Nova Aurora (SP) em 1933 para viver em Londrina, onde nasceram as filhas mais novas, Maria e Lídia. Nas décadas de 30 e 40, trabalhou na Companhia de Terras do Norte do Paraná. Seu primeiro registro: a Usina do Cambezinho. O fotógrafo também tinha um ateliê, o Photo Stúdio, que funcionou até o final dos anos 50. Depois ele trabalhou na praça e na década de 60 se aposentou. Mas ainda fazia os álbuns e trabalhava com consertos de máquinas fotográficas.
No lançamento de hoje, haverá uma exposição de fotos que integram o livro e da primeira máquina fotográfica utilizada por Juliani.
Juliani Um Homem, Sua Máquina e a História de Londrina. Livro de Maria Juliani de Arruda. 97 páginas. Editora da UEL. Lançamento: hoje, às 20 horas, na Biblioteca Pública (Av. Rio de Janeiro, 413), em Londrina. Patrocínio: Secretaria da Cultura. Preço no lançamento: R$ 5,00.





