Por trás das câmeras
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segunda-feira, 07 de março de 2016
Marian Trigueiros<br>Reportagem Local
Antenados em tecnologia, aficionados por efeitos especiais, monstros e super-heróis, alunos do quinto ano da Escola Municipal Carlos Dietz (região central) puderam ver e aprender como funciona os bastidores de um set de filmagem. A experiência diferente trouxe um novo olhar às crianças, que acreditavam que tudo acontecia como num clique, de forma instantânea. "O fazer cinema é mágico por natureza. Mas, em contato com a realidade de uma gravação, perceberam o quão diferente e mais trabalhoso é do que imaginavam. Essa experiência abriu os horizontes para um nova perspectiva, despertou a curiosidade a um conhecimento não explorado, de certa forma", comenta a diretora pedagógica Vania Costa.
O projeto em questão é a oficina de cinema da Kinoarte, que promove aulas de direção, roteiro, fotografia e arte com alunos de várias escolas de Londrina. No entanto, essa foi a primeira vez que envolveu crianças dessa idade. Um desafio para a equipe coordenadora, que teve de adequar a linguagem cinematográfica ao universo infantil. "A oficina surgiu da extensão do projeto de exibição de curtas que realizamos alguns anos em escolas e distritos. Já produzimos curtas com adolescentes do ensino médio e responderam muito bem. Com as crianças, tivemos que trabalhar de forma diferente, um pouco mais lúdica", explica o produtor Bruno Gehring. Por conta da idade, algumas etapas, então, foram agrupadas ou simplificadas, como a montagem final, que será feita pela própria equipe da produtora.
Tudo começou pela explicação de alguns elementos da linguagem audiovisual para que pudessem desenvolver e gravar um roteiro totalmente autoral. "Existe um vocabulário próprio, que engloba tipos de planos (popularmente chamados de enquadramentos) e cortes. Mas abordamos de maneira menos técnica com eles." O primeiro desafio, portanto, foi produzir um roteiro que pudesse ser filmado dentro das instalações da escola e que, ao mesmo tempo, fosse atraente às crianças. "Explicamos que a história precisava ter uma apresentação dos personagens, conflito e um desfecho. Dentro do repertório que possuem, decidiram por uma história de terror." Executando as etapas, as crianças aprenderam, por exemplo, que as cenas não são gravadas na sequência da história.
Cada um foi dando sua contribuição nas cenas até chegarem ao tratamento final do roteiro. A história conta sobre as aventuras e enrascadas de um grupo de alunos que decide acampar escondido na escola depois que todos saem de férias. Como trata-se de um filme de terror, a trama se desenrola meio a esse suspense em que os alunos ficam amedrontados com o ser de outro planeta, pois, em vários momentos, há indícios da aparição de um alienígena.
"Foi um contato inicial que propiciou muitas descobertas a eles, desde a observação, imaginação, atenção, concentração e conhecimento de artes. Além disso, vivenciaram a história do começo ao fim. Não foi algo que chegou pronto", enfatiza a professora regente Elaine Marques.
A cada cena a ser gravada, muitas repetições. Os que não atuavam, se alternavam entre o microfone, claquete e auxiliando na câmera. A famosa frase "luz, câmera, ação" é a "deixa" para que todos se concentrem e façam silêncio absoluto. "Houve um envolvimento muito grande de todos os alunos a cada momento que aprendiam mais sobre o universo do cinema. Valorizaram ainda mais questões como trabalho em equipe e concentração. Os que foram sorteados para atuar demostraram superação na oralidade e isso reflete diretamente na autoestima", completa a professora. Depois de uma semana intensa de atividades, o próximo passo, agora, é ver o filme pronto, que será exibido a todos alunos da escola.