No meio da noite toca o telefone e assim, sem mais nem menos, o executivo de uma multinacional é posto no olho da rua. Começa aí o drama para o casal Cláudio e Marina, e a sessão de risos para a platéia. ‘‘Por Telefone’’, comédia escrita por Antonio Fagundes, estréia hoje a temporada que vai até o final do mês no Teatro Novelas Curitibanas, com Léa Albuquerque e Renato Scarpin.
Há quase um ano o espetáculo vem sendo apresentado nos palcos do interior do Estado. Passou também por algumas cidades de São Paulo e Santa Catarina. Alguma estratégia nesta excursão? Não. ‘‘Faltou espaço mesmo. Não tinha teatro para a gente, e quando surgiram vagas, nós é que estávamos compromissados com outros trabalhos’’, explica Léa.
A atriz, que começou sua carreira em Londrina, diz estar se divertindo muito na pele de Marina, uma dona de casa com ares de grandeza. Retrato típico das mulheres que sonham com Paris, Miami e Nova York. A aspiração de Marina é Paris, entupir-se de roupas caras, frequentar lugares chiques. ‘‘Deve ler a revista Caras’’, confidencia Léa.
O marido, por sua vez, ao mesmo tempo que é machista, gosta de uma boa fofoca. ‘‘Não tem grandes aspirações, as maiores seriam levar a mulher à Europa e comprar um bom carro. É um sujeito ingênuo que se julga esperto. Na verdade ele é honesto, esforçado, tem bom coração. Mas não vai subir muito na vida’’, analisa o ator Renato Scarpin.
Com esse perfil do casal, muita gente acaba se flagrando como se estivesse frente a um espelho. Renato diz que ‘‘muitas e muitas vezes’’ viu casais apontando-se mutuamente, depois do espetáculo, falando de seus defeitos.
As pessoas riem de si e de seus parceiros, porque no íntimo de elas sabem que, da mesma forma como ocorre no palco, também para elas o amor é a base de tudo. ‘‘Cláudio e Marina se completam’’, explica Scarpin
O diretor Chico Nogueira, que pela segunda vez dirige a mesma montagem - a primeira foi em 1985, com Mário Schoemberger e Regina Bastos -, comenta que ‘‘Por Telefone’’ mostra o cotidiano, briguinhas comuns de marido e mulher. ‘‘Fagundes foi muito feliz ao escrever esta peça. Ela permite que você brinque com temas atuais’’.
Se as confusões dão nó na cabeça do casal, o mesmo não acontece com os membros da equipe. Renato, Léa, Chico, Valtair de Oliveira (contra-regra, luz e som) e Vanessa (divulgação) formam uma espécie de família, diz Léa Albuquerque. Apaixonados um pelo outro estarão juntos na próxima produção, ‘‘Fica Comigo Esta Noite’’, de Flávio de Souza, marcada para o final do ano. Desta vez com estréia em Curitiba.

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