Leda Maria Araújo:  "Gosto de trabalhar de forma dinâmica, com métodos criativos"
Leda Maria Araújo: "Gosto de trabalhar de forma dinâmica, com métodos criativos" | Foto: Walkiria Vieira/16-05-2013

A bibliotecária e diretora do Sistema de Bibliotecas da Secretaria Municipal de Cultura (SMC), Leda Maria Araújo, investe na educação – em sua formação e na dedicação ao próximo. “Eu gosto de trabalhar de forma dinâmica, com métodos criativos. Prefiro, as rodas de leituras, as contações de histórias, as leituras dramatizadas, os círculos de debates, os saraus literários entre muitas outras possibilidades de formar leitores críticos, autônomos e reflexivos. Doutoranda em ciência da informação pela Unesp (Universidade Estadual Paulista), sua tese é a respeito de políticas públicas para cultura.

Poderia dar uma sugestão de como os pais podem criar um ambiente em casa para que os filhos consigam ler?

Desde o ventre materno, os pais devem ler e cantar para as crianças, livros devem fazer parte do dia a dia da criança como se fosse um brinquedo. A escritora Maria Dinorah tem uma frase que diz o seguinte “O livro é aquele brinquedo que, por incrível que pareça, entre um mistério e um segredo põe ideias na cabeça”. Há livros para todos os gostos e idades, livros de banho, de plástico, de tecido, há livros brinquedos que formam castelo, tratores, animais, que montam e desmontam.

O que você mais gostava de fazer na escola quando criança?

Eu sempre fui uma menina que gostava de fazer amizades, então o intervalo era o que mais gostava, das brincadeiras de roda cantadas.

Qual a melhor lembrança desse período de escola?

O mês do folclore, quando fazíamos várias apresentações culturais e estudos regionais. Os trabalhos realizados em grupo, em equipe ficaram marcados da memória.

Como eram as carteiras? Sentava sozinha ou em dupla?

As carteiras eram de madeiras, aquelas coladas nas cadeiras tiveram um tempo que sentávamos em dupla e teve outro período que era individual.

O que você gostava de comer na hora do recreio?

Eu comia o lanche que a escola oferecia, amava quando era sopa de macarrão com feijão e arroz carreteiro. Era servido na sala de aula, pois não tinha refeitório, vinha num balde grande de alumínio e sempre repetia.

Você já ficou de castigo ou levou bronca do professor alguma vez? Como foi?

Não, mas uma vez, a turma na sala estava conversando muito e para punir a professora disse que não deixaria ninguém ir ao banheiro e tomar água, passado um tempo eu pedi para ir ao banheiro a professora não deixou, e eu tentei segurar o máximo até o intervalo, mas não consegui, estava muito apertada, e fiz na roupa, na cadeira mesmo, só foi escorrendo o xixi no chão e fiquei com a roupa molhada até o final da aula, fiquei com muita vergonha, mas ninguém tirou sarro ou zoaram comigo, acho que ficaram com dó, inclusive a professora.

Já gostava do universo dos livros quando criança?

Na escola que eu estudava não tinha biblioteca, mas a professora levava livros e nós escolhíamos e líamos livremente. Depois de adulta, descobri que era um projeto do governo do Estado da década de 1980, que se chamava “Os livros criam asas”, onde eles mandavam para todas as escolas do Estado livros infantis e juvenis para os alunos lerem.

De que maneira o gosto pela leitura o auxiliou na formação?

A leitura me auxiliou e ainda auxilia em meu dia a dia em muitas tomadas de decisão e por eu acreditar na importância e no papel preponderante que a leitura tem na formação do indivíduo, é que eu resolvi me formar em biblioteconomia e me especializar nessa área. Acredito que com meu trabalho eu posso contribuir para formar cidadão e consequentemente contribuir para transformação de nossa sociedade.

Teve irmãos? Ajudava nas tarefas?

Sim, tive duas irmãs e dois irmãos menores. Minha mãe faleceu eu tinha 11 anos, ficamos morando com meu avô Benedito Rodrigues de Araújo (in memorian), minha avó também era falecida. Então, de repente eu tive que assumir praticamente a responsabilidade de uma casa, limpar, cozinhar, cuidar dos meus irmãos e ainda estudar. Apesar que um menino (João Victor, foi morar com uma tia e uma menina, a Bruna, foi morar com outra tia, ficamos em 3 morando com meu avô, foram momentos difíceis, dolorosos, mas meu avô soube dar a educação que precisávamos. Serei eternamente grata a ele por tudo que fez por mim e pelos meus irmãos.

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