POR DENTRO DE ‘KRONOS’ Em ‘‘Kronos’’, o show de pirotecnia é um dos pontos altos do espetáculo e deve ficar gravado na memória da platéia curitibana Divulgação Quilômetros de cordas e duas toneladas de equipamentos de luz foram instalados na Ópera de Arame (acima) para a apresentação de ‘Kronos’. Linguagem estética da Intrépida Trupe se aproxima do mundialmente famoso Cirque du Soleil Francelino França De Curitiba A Folha2 acompanhou na Ópera de Arame a montagem do espetáculo que abre hoje o Festival de Teatro de Curitiba. Trata-se de uma das produções mais grandiosas do evento A Ópera de Arame, palco de estréia do 9º Festival de Teatro de Curitiba, abrigará, hoje, às 21h30, ‘‘Kronos’’, com a Intrépida Trupe, espetáculo que dialoga com a arte circense, teatro e dança. Na estréia do Festival do ano passado, ‘‘Sublime’’, de Vlademir Capela, dirigido por Marcos Frota, também reverenciava a magia do circo. O texto é assinado por Fernando Neder, com um reforço afetivo do poeta Chacal. A direção do espetáculo é assinada pela trinca Beth Martins, Cláudio Baltar e Vanda Jacques. Em Curitiba, a Intrépida Trupe contou com a supervisão geral de Paulo de Moraes, diretor do Grupo Armazém. A Ópera de Arame sofreu alterações para abrigar ‘‘Kronos’’, espetáculo dos 26 irreverentes cariocas. A primeira modificação solicitada foi a construção de um palco extra, de modelo trapezoidal (9 m de fundo, 6 m de frente e 7 m de profundidade), no lado posterior da platéia. A peça foi concebida para integrar palco e platéia, exigindo a construção de duas pontes laterais para completar esse elo. O palco extra ocupou cerca de 60 assentos, sobrando 1.450 lugares no teatro. Para transportar os equipamentos cenográficos e figurinos do Rio de Janeiro para Curitiba, foi preciso recorrer a uma carreta. Dentre os equipamentos circenses que servem de base para o trabalho da trupe carioca estão alguns quilômetros de cordas especiais, 70 mosquetões, 250 griletes (encaixes) e 20 roldanas. Como o lado espacial se tornou de fundamental importância em ‘‘Kronos’’, esse espetáculo se viabiliza apenas em grandes espaços. O público pode esperar uma encenação com imagens impactantes. Para conduzir os espectadores numa viagem do tempo, a Intrépida Trupe vai usar nas quatro apresentações em Curitiba um gigantesco parque de luz, composto de grande número de refletores e moving lights (luzes com efeitos especiais que se movimentam). Para se ter uma noção da grandiosidade da produção, cerca de duas toneladas de equipamentos de luz foram instaladas. A produção do FTC disponibilizou 30 pessoas para auxiliar o grupo carioca, entre produtores, maquinistas, recepcionistas e coordenadores, somados aos 26 atores do espetáculo. A Intrépida Trupe deu um grande salto no cenário teatral brasileiro e internacional ao optar por uma proposta dentro do chamado novo circo, solidificado no trabalho corporal das artes circenses, do teatro e da dança. A linguagem estética da trupe se aproxima a do mundialmente famoso ‘‘Cirque du Soleil’’, circo que se transformou numa torre de babel com forte sotaque francês. ‘‘Kronos’’ foi criado para um espaço determinado, a Fundição Progresso, no Rio de Janeiro. ‘‘A Ópera de Arame é um espaço maravilhoso. Estamos aproveitando a arquitetura do local’’, afirma Valéria Martins, diretora de produção e figurinista. Segundo ela, ‘‘Kronos’’ é um espetáculo que não merece ficar somente nos domínios do palco italiano, por isso os atores invadem a platéia numa viagem no tempo comandados pelo bufão. Um show de pirotecnica está programado para ficar na memória do espectador curitibano. Nas próximas duas semanas a Intrépida desembarca no Texas (EUA), com o mesmo espetáculo. ‘‘Kronos’’ é uma delirante reflexão sobre o tempo. Elizabeth Martins, acrobata e co-diretora do espetáculo, começou a trabalhar com o grupo questionando-os sobre a relação de cada um com o tempo, mergulhando nos arquétipos. Iniciou-se um processo em que foi trabalhado o tempo em todos os sentidos. ‘‘Fomos buscar na mitologia grega, em Kronos, o deus do tempo, a base para a pesquisa’’, explica a diretora. Do casamento de Gaya e Urano nasceu o gigante de rosto descomunal chamado Kronos. Um oráculo avisou ao titã que o destino reservava um futuro funesto: ele seria devorado por um filho. Kronos se casa com Réia. À medida em que os filhos nasciam, Kronos os devorava. No espetáculo, o mito grego é representado por um ator de perna-de-pau e um dragão. Réia ludibria o amado trocando o filho Zeus por uma pedra, por isso o duelo de titãs entre Zeus e Kronos. O filho não destrói o pai devorador, apenas o aprisiona, mas o deus do tempo continua reinando nos movimentos dos planetas. Com o reinado de Zeus começa uma nova era, coincidindo com o surgimento do homem. A Intrépida Trupe insere o bufão (personagem da comédia ou farsa encarregado de fazer o público rir) como detentor de sabedoria e loucura da humanidade. O bufão acaba se tornando o instrumento de tempo e seu controlador. ‘‘Viver com o tempo escasso, às vezes, é necessário. Mas é preciso ter a possibilidade de sair fora do esquema, buscando um equilíbrio. Acho que essa é a nossa reflexão’’, sintetiza a diretora carioca, enquanto tenta se desvencilhar das amarras do tempo, momentos antes da apresentação em Curitiba. ‘‘Kronos’’, abre hoje, às 21h30, na Ópera de Arame, o 9º Festival de Teatro de Curitiba. Sexta-feira, sábado e domingo, às 20h. Ingressos à venda no Shopping Mueller.

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