ReproduçãoAl Pacino e Johnny Deep, em ‘‘Donnie Brasco’’Baseado no best-seller autobiográfico ‘‘Donnie Brasco - My Undercover Life in the Mafia’’, publicado em 89, ‘‘Donnie Brasco’’ é a história real de um agente do FBI, Joseph D. Pistone, que nos anos 70 infiltrou-se na família mafiosa Bonanno e conviveu com o crime organizado de Nova York por seis anos, usando o nome que dá título ao livro e ao filme.
Mas as coisas não foram assim tão lineares, nesta experiência que fatalmente deixaria marcas profundas nos envolvidos. Pistone, aliás Donnie Brasco, teve como mentor durante os anos de falsa identidade um gangster pouco influente no destino das ‘‘famílias’’, Lefty Ruggiero. O filme se apropria da sólida relação de amizade e lealdade entre Ruggiero e Donnie Brasco para contar sua história, uma história que tenta ainda avaliar o ponto de vista de quem trai e de quem é traído.
Direção inglesa para dupla americana Um tema autenticamente mafioso requer um diretor tipicamente novaiorquino, um Scorsese talvez, certo? Errado. Talvez recordando a feliz experiência que foi ‘‘Perdidos na Noite’’, quando em 1969 o olhar britânico de John Schlesinger descobriu uma ‘‘Big Apple’’ com seres humanos inusitados, os produtores Mark Johnson e Gail Mutrux também foram buscar alguém de fora que pudesse revelar detalhes que um ponto de vista americano não saberia captar. Alçado às nuvens depois do sucesso e da repercussão de ‘‘Quatro Casamentos e Um Funeral’’, o inglês Mike Newell foi o escolhido. A ele coube a tarefa proposta pelo roteiro de Paul Attanasio (‘‘Quiz Show’’): dar vida quase documental a uma facção pouca explorada da Máfia, a dos anônimos soldados das ruas. Lefty Ruggiero é um desses durões, feroz, intransigente, mais ou menos respeitado, com pouco ou nenhum jogo de cintura com o poder, movido por regras rígidas de disciplina, lealdade e fidelidade com os amigos que o tratam bem, com consideração. E um desses é justamente Donnie Brasco, o agente federal infiltrado.
Continuam em alta as combinações hollywoodianas. Depois de Harrison Ford-polícia e Brad Pitt-terrorista em ‘‘Inimigo Íntimo’’, ainda em exibição para conferir, outras duas consideráveis influências são alistadas em ‘‘Donnie Brasco’’. Al Pacino é Lefty, o mafioso. Johnny Depp, Donnie, seu ‘‘inimigo íntimo’’ - as situações dos dois filmes guardam certa semelhança, embora personagens em papeis trocados. Segundo consta, Pacino e Depp, a exemplo de Ford e Pitt, deram-se no set às mil maravilhas. E trabalharam com muita disposição, de acordo com o diretor Newell, contribuindo com aquilo que ele chamou de ‘‘antropologia básica’’ : muita pesquisa de campo e muita convivência com o dia-a-dia do Brooklyn mafioso.(CELJ)

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