Por baixo dos panos
PUBLICAÇÃO
domingo, 10 de maio de 2009
Mauro Trindade<br> TV Press 
Moda é uma coisa perigosa, como sabem Isabella Fiorentino e Arlindo Grund, profissionais do setor e apresentadores do novo ''Esquadrão da Moda'', do SBT, há um mês no ar. O programa original - ''What Not To Wear'' -, da BBC, já era e continua a ser transmitido, com o mesmo nome em português, pelo Discovery Channel. E os dois ''reality-shows'' compartilham de idêntica estrutura de roteiro.
Através da indicação de amigos, uma pessoa é seguida e filmada pela produção do programa. Depois a aborda com estardalhaço e a obriga a se livrar de suas roupas antigas, aparentemente todas de péssimo gosto. Alguns blocos depois, a personagem reaparece em novo estilo.
O programa é até bastante enxuto, com a exibição da ''vítima'', a morte de seu antigo guarda-roupa e seu renascimento livre dos pecados de ser ''cafona''. Mas a roupa que cada um usa é mais do que um estilo ou uma tendência surgida em Milão ou Nova York. É identidade. E chega a ser comovente assistir personagens defendendo os microshorts puídos e os cintos prateados da intransigente ditadura da moda. Ou tentando evitar a extinção das camisas com estampas de oncinhas, zebras e outros animais ''demodé''.
Moda é volátil. Hoje em dia, com exceção de um hippie fundamentalista, ninguém usa perfume patchouli e sandálias de pneu de caminhão. Ou terninhos com ombreiras gigantes e cores ácidas, febre ''new wave'' dos anos 80. Ou ainda as gravatas berrantes que eram companheiras inseparáveis de Sergio Chapelin e de Cid Moreira na bancada do ''Jornal Nacional'', há mais de 30 anos. Ao menos eram coloridas. Hoje o mundo é um triste pretinho básico.
Ainda existe uma certa antipatia com a moda, ao lado do mobiliário e da ourivesaria. A poderosa indústria têxtil ajudou a embaralhar as ideias e o mundo ''fashion'' se organiza de forma eficiente e sem a necessidade do aval de outros campos do conhecimento para ser reconhecido. Tem sua própria estrutura, seu regime e seus dogmas.
Mas no mundo multiculturalista da atualidade não há um juízo de valor que decida sobre o que é e o que não é bonito de forma tão cabal. Por isso é difícil aceitar a concepção de normas estéticas tão sectárias quanto às exercitadas pelo ''Esquadrão da Moda''. Mesmo os vestidos de lacinho de La Fiorentino e os blazers de Arlindo Grund poderiam precipitar-se na lixeira da moda. Basta mudar o conceito.
- Esquadrão da Moda no SBT, às terças, às 20h


