Popular,
mas não
popularesco
José Augusto sabe muito bem o espaço que ocupa no coração popular. Sua longevidade artística - são 24 anos de carreira - é seu principal argumento. ‘‘O público hoje não compra mais disco por causa da cara do artista; compra pelo que ouve. Nesses anos todos tive a preocupação em não descaracterizar meu trabalho. Eu não fui um boom, eu permaneci e o aperfeiçoamento é minha grande vitória’’- diz ele.
O sucesso do cantor e compositor não se restringe apenas ao Brasil. Seu trabalho também tem boa aceitação nos países de língua latina - de 74 a 79 vendeu lá fora a invejável quantia de cinco milhões de cópias. De lá para cá diz que não sabe mais a quantia vendida. Mas continua vendendo bem. E olha que o Brasil nunca foi um prodígio de memória com seus artistas populares.
José Augusto é uma exceção. Não basta apenas fazer ou cantar canções que falam a língua do povo. É preciso, sobretudo, não descambar para o popularesco. ‘‘O que separa o popular e o popularesco é uma linha fina e eu procuro ter cuidado para que essa linha não se rompa. Eu me preocupo com cada verso, cada harmonia que faço para que não caia no popularesco’’- informa.
Então tá! Diz ele que teve também a preocupação em não soar oportunista ao gravar a versão de ‘‘Per Amore’’. Tanto que, como explica, antes de gravá-la pediu autorização para o autor para vertê-la ao português e levou um papinho com Zizi Possi. Ambos não se opuseram. A canção, que até então era o carro chefe do disco pode estar com seus dias contados.
É que na próxima prensagem de ‘‘Minha Vida’’, será incluída em versão bônus a música ‘‘Te Amo’’ (Ronaldo Correa, gravada na década de 60 por Wanderléa) gravado especialmente para a trilha sonora da novela ‘‘Torre de Babel’’. Ou seja, seu disco poderá contar com uma boa ajuda extra, a chamada alavanca global.
Dentro em breve, José Augusto entra novamente em estúdio para verter esse novo trabalho para o espanhol. O destino, o mercado latino. Enquanto isso não acontece, ele segue divulgando o disco em português. E falando em português, nos próximos dias ele desembarca em Portugal, pela primeira vez, para divulgar o seu ‘‘Minha Vida’’ que também está caindo nas graças dos gajos.
Isso depois que receber, no sábado, em Miami, o prêmio ‘‘Aplauso’’, concedido aos artistas que mais se destacaram no mercado latino. Essa é a segunda vez que ele volta com o prêmio na mala - o primeiro foi em 92. Ser popular tem lá suas vantagens e alegrias!
(A.M.J.)

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