O rock curitibano sobe mais um degrau na escala nacional. Depois de aparecer em coletâneas, a efervescência da capital paranaense é brindada com o lançamento do primeiro CD da banda MAGNÉTICOSs (é assim mesmo, com essezinho no final) pelo selo paulistano Excelente Discos.
Intitulado ‘‘La kukaratcha Wave Music’’, o disco reúne 14 faixas auto-produzidas e cantadas num idioma fuleiro que mistura português, castelhano e inglês. ‘‘I am the Spiderman / I am the Spiderman / ôu uôu / Estoy cansado de subir pela parede / Tudo que jo quiero és deixar usted / tão louca’’, diz a letra de ‘‘Spiderman’’. As músicas do CD oscilam entre o punk rock, o bubblegum e a anarquia vocal com tinturas pixieanas.
O álbum foi gravado em apenas 15 horas, mixado posteriormente por Carlos Eduardo Miranda e Beto Machado. O clipe da faixa ‘‘Istambul ou Paraguay?’’ roda há três semanas na MTV. MAGNÉTICOSs é liderado por JR Ferreira, um dos baluartes do underground nacional.
No grupo ele canta e toca baixo, ao lado de Marcos Gusso (guitarra e vocais) e Kako (bateria e vocais). JR tem histórias para contar. Durante três anos, organizou o festival BIG (Bandas Independentes de Garagem), que reunia quase 50 grupos de todo o País durante dez dias consecutivos.
Foi o fundador do Bloody Records, selo pelo qual lançou várias bandas locais em compactos de sete polegadas. Foi proprietário do pub Ninety Two Degrees (o 92), reduto alternativo instalado no porão de sua casa. Mas além de suas atividades nos bastidores, apresentou-se nos palcos tocando nas bandas Jully et Joe e Intruders From Mars. A seguir, leia a entrevista com a figura.
De onde vocês tiraram essa idéia maluca de misturar português com espanhol e até inglês?
JR Ferreira Fazia uns cinco ou seis anos que eu não compunha em português. Quando formei o MAGNÉTICOSs, pensei em dar uma facilitada no som e deixá-lo mais acessível porque com minhas bandas anteriores (Jully et Joe e Intruders From Mars) não conseguia chamar atenção das gravadoras. Então comecei a compor em português e fazer essa mistureba idiomática que é, na verdade, o dialeto falado em Camboriú, Ciudad del Este e outras cidades com alto fluxo de paraguaios e argentinos. Fiquei tão empolgado com isso, que pensei: já que estamos inspirados nessa praia, vamos atacar por aí. Acabei compondo cinco novas músicas, que já estão prontas para um próximo disco.
Alguns críticos associaram o som da banda à new wave. Você assume esse ‘‘parentesco’’ sonoro?
JR Ferreira Não somos presos a isso. Acredito que o disco tenha um som mais próximo do punk rock. O legal é que procuramos escapar do hardcore, que é o som que mais está rolando por aí. Nossas músicas são super-simples, seguem o que já fazia no Intruders e marcam uma evolução do Jully et Joe, que era muito dark, muito carregado da melancolia pós-punk.
Quando vocês vão fazer o show de lançamento do disco?
JR Ferreira Fizemos uma primeira apresentação do disco no festival Close Up Planet, que trouxe os Sex Pistols. Mas em Curitiba, vamos fazer o lançamento em março e depois correr atrás de outros shows pelo País. O nosso produtor é o Tom Gomes, que trabalha com o Ira! e o Ultraje a Rigor.
Agora que você está mais voltado para a banda, o lado ‘‘produtor’’ foi definitivamente sepultado?
JR Ferreira Faz um tempo que resolvi dar uma parada. Mas esta semana vou participar de uma reunião para reativar o BIG, que deve voltar terceirizado em 97. A última edição aconteceu em 94, já mostrando que precisava de uma estrutura maior para ser realizado. Agora, vamos tentar terceirizá-lo incluindo workshops e colocar pessoas para correr atrás de grana, tudo mais organizado.

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