Os púberes dominam as paradas. A música pop virou um interminável intervalo escolar desde que os Backstreet Boys explodiram, há três anos, vendendo 10 milhões de cópias de seu álbum de estréia.
O fenômeno não passou batido pelo empresário Roberto Medina, que já anunciou a escalação da lolita Britney Spears e do grupelho N’Sync como as principais atrações da ‘‘noite teen’’ do festival Rock In Rio, a ser realizado no Rio em Janeiro de 2001.
Para o desespero dos adultos, até o famigerado grupo porto-riquenho Menudo promete voltar aos palcos na esteira da tendência. O produtor espanhol Alejandro Jaén, novo dono da marca Menudo, está preparando sua ressurreição. Os cinco integrantes da nova versão terão idades entre 10 e 14 anos e serão selecionados, ainda este ano, em Porto Rico e Estados Unidos.
Menudo explodiu na década de 80, quando disputava as paradas com os New Kids On The Blocks, também formado por pirralhos. Ambos arrancavam suspiros e gritos histéricos por onde passavam. Como de praxe, surgiram imitações em toda a América Latina. No Brasil, coube aos grupos Dominó e Ciclone pagarem o mico. A história se repete agora.
Ao sucesso dos Backstreet Boys, seguiu-se uma correria na indústria fonográfica para explorar outras variações do filão teen. Não demorou muito para que garotas mal saídas da primeira menstruação fossem descobertas e guindadas ao estrelato precoce, seja lançadas em carreiras individuais ou através de grupos vocais.
O Brasil contribui para revigorar a tendência lançando versões constrangedoras. Nomes como SZN (grupo formado pelas filhas de Baby Consuelo e Pepeu Gomes), Twister (que tem o londrinense Gilson entre seus integrantes), KLB (composto por três irmãos) e Karynn (ninfeta da cidade de Vinhedo, interior de São Paulo) já ameaçam o reino de Sandy & Junior (esta uma criação genuína e não uma mera clonagem de produtos estrangeiros) na preferência da platéia infanto-juvenil.
Lá fora, a concorrência aumentou entre os meninos. O trio Hanson já havia surgido antes dos Backstreet Boys, embora esteja longe de se enquadrar no modelo, já que os três irmãos (Issac, Taylor e Zachary) compõem, cantam e tocam com desenvoltura de gente grande. Mas foram os BBs que, de fato, acionaram a máquina de fabricar imitadores.
O grupo entretanto ralou um pouco para explodir. Foi inclusive rejeitado pela gravadora Mercury, em 1993, quando a indústria musical americana estava mais interessada em rock sujo e em descobrir um ‘‘novo Nirvana’’. Só quatro anos depois, com o declínio do grunge, é que os Bboys ganharam aceitação – e mesmo assim, seus primeiros singles estouraram primeiro na Inglaterra.
O sucesso abriu um nicho no mercado. A reboque do grupo surgiram N’Sync, Boyzone, Five, Youngstown, 98 Degrees, C Note, G-Quad (do Quebec), Westlife (Irlanda), A*Teens (Suécia) e os já citados representantes brazucas. A fórmula é simplória, a ponto do público adulto ter dificuldade para diferenciar os grupos.
O estilo combina rhythm and blues adocicado, vocais doo-wop e batidas eletrônicas. Os grupos são invariavelmente formados por garotos bem nutridos, dentes em dia e que dançam a mesma coreografia (inspirada nos passos de grupos negros da década de 50). Paralelamenta à ascensão dos rapazes no mundo pop, algumas gurias resolveram largar os fãs-clubes de seus ídolos teen para tentar também a carreira musical, estimuladas pelo sucesso das Spice Girls na Inglaterra.
Daí a aparição de All Saints, B Witched, M2M e SZN. Nenhuma formação feminina, contudo, alcançou o patamar milionário das carreiras-solos de meninas como Britney Spears e Christina Aguillera ᖠe, num segundo escalão, Jessica Simpson e Mandy Moore. Curiosamente, as duas campeãs de vendas deram seus primeiros passos artísticos no programa de tevê ‘‘Clube do Mickey’’, onde contracenaram com Joshua Chasez e Justin Timberlake, integrantes do N’Sync. As idades variavam entre 13 e 15 anos.
Hoje, mais crescedinha, a turma reveza hits nas paradas de todo o mundo. O N’Sync vendeu em uma semana 2,4 milhões de cópias de seu último álbum ‘‘No Strings Attached’’, batendo o recorde anterior da banda Pearl Jam, que havia vendido 1,4 milhões em sete dias. Christina, que faturou o prêmio de Artista-Revelação no último Grammy, já vendeu mais de cinco milhões de unidades de seu disco de estréia, isso só nos Estados Unidos.
Mas é Britney quem puxa a corrente das lolitas bem-sucedidas. Seu primeiro álbum, ‘‘Baby One More Time’’, vendeu mais de 30 milhões de cópias, e o segundo, ‘‘Oops!... I Did It Again’’, chegou à marca de 1,3 milhão de cópias só na primeira semana de lançamento. Na última quarta-feira, foi eleita a melhor cantora do Teen Choice Awards, premiação na qual adolescentes americanos votam em seus ídolos.

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