POP DE PONTA
Nelson Sato
De Londrina
Foi-se a época das misturas sonoras sem direção. Depois de quatro álbuns oscilantes, a banda mineira Pato Fu lança o trabalho mais coeso de sua carreira.
Letra em japonês, ecos de trip hop, citações kitsch, trilha de desenho animado, guitarras de garagem e melodias colantes celebram um repertório de primeira em Isopor. Pato Fu soa, enfim, a pop de ponta. O CD chega às lojas esta semana pela BMG.
O disco foi produzido por Dudu Marote. Reúne 12 canções e uma faixa interativa contendo flashes de shows. Fernanda Takai (vocal), John (guitarra e teclados), Ricardo Koctos (baixo) e Xande Tamietti (bateria) parecem ter refinado o caos rítmico que caracterizava os álbuns anteriores.
Em Isopor, pelos menos quatro músicas despontam como potenciais hits. Moço, hoje eu vou querer / A comida mais estranha (esquisita) / A que menos se pareça / Comigo / Tô me sentindo meio janta hoje / Tô me sentindo meio arroz com feijão diz a letra de Prato do Dia, uma das candidatas a exaustivas execuções nas FMs nos próximos meses.
As brigas que ganhei / nenhum troféu / Como lembrança / Pra casa eu levei / As brigas que perdi / Estas sim / Eu nunca esqueci confessa Fernanda em Perdendo Dentes, outra que deve decolar nas paradas. No álbum, a voz cândida e insegura da garota foi enriquecida com detalhes de arranjo, contrastando com o timbre grave e à beira da desafinação de John, que canta em duas faixas.
Se antes o grupo colidia compassos de vários ritmos numa mesma canção, atirando os instrumentos e as manipulações digitais para todos os lados, agora a coesão é um dado das composições e não um mérito solitário da vocalista. Pato Fu lembra The Cardigans na cafonice-chic de Imperfeito e na levada melódica extraída dos teclados em Saudade.
Remete a Bjork na melancólica Um Ponto Oito, em que mescla o instrumental acústico e os loops eletrônicos com raro preciosismo. Isopor soa moderno como só foi esboçado ou sugerido em Rotomusic de Liquidificapum (1993), Gol de Quem? (1995), Tem Mas Acabou (1996) e Televisão de Cachorro (1997).
Mais do que o melhor trabalho do grupo, talvez seja o grande CD de pop nacional desse ano.





