Pop art londrinense conquista Portugal
PUBLICAÇÃO
terça-feira, 28 de outubro de 2008
Francismar Lemes<br> Reportagem Local 
A descoberta da América pelos portugueses não representa uma nova versão da história 200 anos depois da chegada da Família Real Portuguesa ao Brasil, mas a conquista de Portugal pela pop art londrinense da artista plástica Isabel Santta Cecília.
Muito mais do que a arte brasileira, Isabel desembarcou o espírito latino em terras portuguesas numa exposição na Art Actual, galeria com 50 anos de tradição.
A exposição reuniu oito artistas brasileiros, principalmente de São Paulo e Rio de Janeiro, convidados pela Associação dos Artistas Plásticos de Carcavelos, com apoio da Embaixada Brasileira em Portugal. Isabel foi a única paranaense do grupo.
Isabel expôs quatro quadros em que as cores, os arabescos mineiros e composições que lembram patchwork revelaram o Brasil contemporâneo presente em uma cidade como Londrina, que recebe diversas influências, que são um retrato da América Latina.
A exposição, que marcou os 200 anos da chegada da Corte Portuguesa apresentou trabalhos clássicos e figurativos dos demais artistas plásticos do grupo, mas a pop art de Isabel ocupou lugar de destaque na galeria. ''Os europeus são um pouco mais clássicos, apreciam tons mais neutros e sérios. Ao se depararem com as minhas obras levaram um susto, no bom sentido, causando um impacto grande entre os visitantes da exposição'', conta Isabel.
Com o mar aberto para o mercado europeu, a londrinense diz que a linguagem de cada artista é que o torna navegável ou não no circuito internacional de galerias, que é muito seletivo. ''Existe mercado para todo mundo, mas, principalmente entre os jovens consumidores de arte, o interesse é por um estilo mais contemporâneo. Querem desenhos simples, cores vibrantes. No meu caso, o que eles gostam é esse jeito meio latino. Quando conseguimos entrar nesse mercado, a partir daí, as galerias no mundo passam a acompanhar a nossa trajetória.
O cotidiano está nas telas da londrinense. Sobre o próprio trabalho, Isabel destaca que não consegue se separar das cores que, na fase atual, também aparecem em colagens de papel, tecidos e bordados.
Para a artista plástica, 2008 foi o ano em que também conquistou Nova Iorque. A cidade que nunca dorme é um termômetro da aceitação de qualquer manifestação artística. Ao passar pelo crivo nova-iorquino, Isabel se prepara para a próxima exposição, que deve ser em Miami.


