Pontos turísticos no fundo do mar
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terça-feira, 13 de junho de 2006
Rafael Barifouse<br> Agência Estado 
A costa brasileira ganha três novos naufrágios. Mas não se tratam de tragédias. Os afundamentos são resultado de um projeto de criação de recifes artificiais e aumentaram a oferta de pontos para esse tipo de mergulho. Estima-se que haja cerca de 3 mil embarcações no fundo do litoral brasileiro, das quais 150 exploráveis. Os navios se deterioram pela ação de correntes marinhas ou do homem e podem estar de intactos a desmantelados.
Apesar da mística dos tesouros, os atrativos são outros. Naufrágios viram abrigos para corais, peixes e outros animais. A Corveta Ipiranga, em Fernando de Noronha (PE), é um dos melhores locais para observar a vida marinha arraias-chita, meros e tubarões baleia. As águas claras facilitam a observação. No verão, a visibilidade chega a 50 metros. Para quem é habilitado, a operadora Seaway tem pacote com cinco dias de mergulho em Noronha, incluindo a descida à Corveta.
Ver animais é mesmo o grande barato, segundo a comerciante Eliane Polka, de 38 anos. Praticante do esporte há nove anos, ela já tinha visto naufrágios no Rio, no Paraná, em Pernambuco e no México. Fez o curso para entrar em navios em dezembro. ''Você passa a identificar as partes do naufrágio e aproveita muito mais'', diz. ''É um cenário único; esqueço do mundo.''
Para o advogado Guilherme Vinhas, de 38 anos, o aspecto histórico é um estímulo a mais. ''Como em uma viagem, é preciso pesquisa e planejamento'', diz ele, que mergulha desde 2004. ''Naufrágios são cápsulas do tempo, ficam preservados como afundaram'', verifica Rodrigo Coluccini, de 32 anos, 18 de mergulho. Com Reinaldo Aberti, ele escreveu ''Wreck Diver'', manual lançado pela certificadora PDIC sobre a prática em navios.
Um dos mais procurados por sua história é o cargueiro Itapagé, torpedeado, em Alagoas, por um submarino alemão na 2 Guerra Mundial. Está em bom estado, mas, como tem partes desmoronadas, o mergulhador precisa ter cuidado. O Itapagé é a última parada da viagem de sete dias em catamarã, por naufrágios do Nordeste, feita pela operadora Scafo.
A Associação de Empresas de Mergulho de Pernambuco foi responsável pelos afundamentos do dia 3 de maio. Os rebocadores Taurus, Mercurius e Saveiros foram doados com o objetivo de fomentar o turismo no Estado.
Em 2003, a Secretaria do Estado de Meio Ambiente do Espírito Santo afundou o Victory 8B, em Guarapari. Coluccini o considera a melhor sala de aula: ''É de fácil orientação no interior e teve passagens perigosas lacradas para evitar acidente''. O Victory 8B é um dos seis pontos de mergulho do roteiro de quatro dias da Arribatur na região.
Um navio leva, em média, três meses para ser povoado. Mas é preciso saber com a entidade responsável quando está liberado para o mergulho. A iniciativa é duplamente importante, explica Rodrigo Lass, gerente costeiro da Ecoplan, ONG do Paraná que faz afundamentos desde 2000. ''É uma solução para embarcações abandonadas na costa e um meio de recuperar áreas degradas.'' Os mergulhadores também agradecem.
SERVIÇO:
QUEM LEVA
Arribatur: (11) 3258-0772
Scafo: (11) 4990-8966; www.scafo.com.br
Seaway: (11) 4226-3004; www.seawaynet.com.br


