A imagem séria que Leopoldo Pacheco apresenta através de seus papéis na tevê se dissipa logo nos primeiros minutos de conversa. Gentil e simpático, o ator se acostumou a ser escalado para tipos mais densos em produções como "Joia Rara" e "O Brado Retumbante", entre outras. E fazia tempo que ele nutria o desejo de experimentar algo mais leve em teledramaturgia. Por isso, se animou com a chance de viver o Manoel de "Alto Astral", próxima novela das sete da Globo.
O personagem, que está inserido em um núcleo de humor da trama de Daniel Ortiz, é o patriarca de uma família inusitada. Viúvo de uma mulher que se chamava Austrália, seus quatro filhos foram batizados também com nomes de países: Israel, Bélgica, Afeganistão e Itália, interpretados, respectivamente, por Kayky Brito, Giovanna Lancellotti, Gabriel Godoy e Sabrina Petraglia.
"Fiquei feliz porque saí um pouco desse pai sério e pai rico que sempre faço para viver um personagem de uma família tão diversa. Estou me divertindo muito", empolga-se Leopoldo, que foi convidado por Silvio de Abreu, que assina a supervisão de texto do folhetim, com quem trabalhou em "Belíssima", em 2005.
A história começa com Manoel já viúvo e casado com Tina, interpretada por Elizabeth Savalla, que assume o papel de mãe dos seus filhos. O personagem de Leopoldo é dono de uma lanchonete que vai de mal a pior, localizada no clube da fictícia cidade de Nova Alvorada. "Manoel é muito pão-duro e, ao mesmo tempo, humano, apaixonado pela mulher, pela família. É um papel cheio de facetas", avalia o ator, que exalta a parceria com Savalla. "Deu certo de cara", afirma.
Para buscar o tom desta família, Leopoldo e os atores do núcleo vêm se reunindo diversas vezes, desde dois meses antes do início das gravações. Como são, pelo menos, seis personagens dentro de muitas cenas, é importante que todos passem um tempo juntos fazendo leituras de texto e trabalhando o entrosamento.
Além disso, Leopoldo foi atrás de algumas referências por conta própria, hábito que costuma cultivar em outros trabalhos. Entre os filmes aos quais assistiu, está o "Little Miss Sunshine", de Jonathan Dayton e Valerie Faris. "Também vi 'Pantera Cor de Rosa' pelo jeito do Steve Martin. Não tem nada disso na novela, mas é pura inspiração", explica.
Cria do teatro e formado pela Escola de Arte Dramática da Universidade de São Paulo, Leopoldo teve uma entrada tardia na televisão, aos 42 anos. Mas a experiência nos palcos e a maturidade o ajudaram a se adaptar rapidamente ao ritmo industrial do veículo. "Foi muito mais tranquilo do que eu imaginava. Quando era jovem, tinha essa coisa de não querer fazer televisão de jeito nenhum. Mas o tempo vai passando e isso muda de lugar", reflete.
A ligação que Leopoldo tem com o teatro, inclusive, é tão intensa, que ele até gosta quando precisa conciliar uma peça com uma novela. Algo que está acontecendo no momento: o ator se divide entre as gravações de "Alto Astral" e o espetáculo "Depois do Ensaio", escrito por Ingmar Bergman.
O fato de viver, simultaneamente, um papel de comédia na tevê e um dramático no teatro é ainda mais interessante para ele. "Acho que o teatro me faz muito bem, me deixa são e reciclado. Sempre me dei bem fazendo teatro junto com tevê", conta.
Mas a dupla jornada só vai durar até novembro, quando a peça sai de cartaz temporariamente. "O espetáculo pega um mês da novela e depois quero fazer só 'Alto Astral'. É bem puxado", pondera, entre risos.

mockup