Nesta semana, mais um sonho americano se tornou realidade. A casa onde o presidente George W. Bush viveu sua infância, no Texas, foi transformada em museu e já pode ser visitada por todos os que desejam saber como viveu, nos anos 40, a versão masculina de Pollyana ou...um garoto cheio de boas intenções.

Eu já dei uma passada por lá e fiquei realmente emocionada em ver o quarto de Bush, a caminha de Bush, as botinhas de Bush. Mais do que isso, pude ver seus gibis, seus brinquedinhos, as armas, os joguinhos, as roupinhas que vestiram aquele que se tornaria um ícone da bondade e da generosidade americana. E, com lágrimas nos olhos, vou agora contar pra vocês como viveu ‘‘Bush, the boy!’’

Confiram a lista de seus brinquedos e objetos preferidos. Ah! Este menino!

Gibi - Capitão América, é claro! Bush quando criança adorava este personagem. Afinal, ele foi criado em 1941 para enfrentar o próprio Hitler na Segunda Guerra. E que beleza! O Capitão América só contava com seu escudo, não usava armas e se limitava a socar o Führer. Na versão adulta, Bush continua usando escudos. Mas trocou o Führer por Saddam Husseim. E, como a vida imita a arte, assim como o Capitão América contava com seu jovem amigo Bucky para mandar brasa na metralhadora e matar os inimigos, Bush conta com seus generais para acabar com os iraquianos, sem deixar nem o pó. Ah! O arquiinimigo do Capitão América é o Caveira Vermelha, uma cor que Bush também detesta. Aliás, sua bronca com o presidente da Venezuela, Hugo Chávez, é justamente esta: o ‘‘cucaracha’’ a-do-ra uma camisa vermelha, como todo presidente brega. E Bush já prometeu que vai destruir seu guarda-roupa. Mas fará tudo isso sorrindo. Afinal, ele só age pela paz e de mãos limpas. Sua única ‘‘arma’’ é o escudo. Salve o Capitão América!

Jogo preferido - War, sem dúvida. O tabuleiro e os dados encantavam a mente infantil de Bush, enquanto seu velho pai batia nas suas costas e dizia: ‘‘Muito bem, filhinho, ótima escolha!’’ Assim, ‘‘Bushinho’’ ia se acostumando com ataques em massa, bombardeios, cidades destroçadas, crianças e velhos mortos como baratas, enquanto as marchas de guerra ecoavam no radinho estrategicamente colocado no seu quarto de menino.
Se na infância de Bush as regras do War impunham combates só entre nações vizinhas ou conectadas por oceanos, hoje as regras são outras: os americanos podem usar à vontade seus aviões para bombardear nações que não estão na vizinhança. Em outras palavras, podem cruzar o planeta para invadir países do Oriente Médio com grandes reservas de petróleo. A principal regra do jogo é que todos os países sejam ‘‘amigos’’ dos EUA, mantendo boas relações diplomáticas e comerciais. Senão, babau: o menino Bush dá um tapa no tabuleiro e faz os dados voar.

O lanche - Caixinhas e mais caixinhas do Mac Donalds foram encontradas empilhadas debaixo da sua cama. Com os olhos vidrados nos sanduíches, ‘‘Bushinho’’ passava os dias se alimentando sem largar a indefectível garrafa de Coca-Cola. Dizem que, com o passar dos anos, ele foi adquirindo aquela cor de mostarda. Cabelos amarelos, olhos amarelos, sorriso amarelo quando é pego fazendo maldades.
Já os lábios ganharam formato de ‘‘chupa ovo’’ graças ao esforço de sugar o canudinho...glup-glup-glup. É ou não é um bom garoto americano? Hi, Bushinho, take a Coke and make war!

Bichos de pelúcia - No quarto do menino Bush os ursos de pelúcia ficam todos amarradinhos, têm vendas nos olhos e alguns parecem tontos ou sem patas. Perguntamos ao garoto: ‘‘Cadê o pé do ursinho, ‘Bushinho?’’ E ele respondeu: ‘‘Perdeu em Abu Ghraib.’’ Com toda psicologia, insistimos: ‘‘Mas como, você tortura os bichinhos?’’ Ele afirmou sem levantar suspeita: ‘‘Que nada, em Abu Ghraib a gente só estava brincando de cobra cega e eles enfiaram as patas no vão do assoalho.’’ Papai Bush vê tudo aquilo e aprova: ‘‘Ah, que imaginação tem o ‘‘Bushinho.’’
Mas a infância passa depressa e Bush cresceu. Hoje, os brinquedinhos, os gibis e os jogos são apenas lembrança. Na juventude, ele não agüentava mais tanta babaquice e se rebelou. Sim, nos anos 70, usou drogas e muita bebida. Aliás, bebeu tanto, mas tanto, que só foi salvo pela fé. Sim, pasmem, Bush é religioso. Na seqüência casou-se com Laura – só mesmo uma boa mulher para colocar um péssimo homem ‘‘na linha’’ – e resolveu comprar um time de basebol, sim outro hobby da infância, e chegou a ser diretor do Texas Rangers. Para azar do mundo, um dia deixou os tacos, as ‘‘bolas’’, as bebidas e o rock and roll, passando a investir na política. Seu primeiro slogan foi ‘‘Conservador com compaixão’’... Mas devido a suas ações estapafúrdias, logo o mundo descobriu sua nefasta liderança. E, pobre ‘‘Bushinho’’, teve o slogan trocado por ‘‘Matador por Convicção.’’ Quanta maldade. Não é mesmo litlle boy?? Faça o seguinte, já que estamos falando da sua infância: vá jogar War com a vovozinha!!!

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