PONTO DE VISTA/FTC- Decepção em cena aberta
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quinta-feira, 22 de março de 2007
Katia Michelle<br> Equipe da Folha 
Curitiba - Quem assistiu à abertura do Festival de Teatro de Curitiba no ano passado, no Teatro Guaíra, teve a sensação de que nada poderia ser tão ruim quanto a associação do repertório de escolha equivocada da Orquestra Sinfônica do Paraná e da leitura mecânica dos textos feita pelo ator Luiz Melo. Ledo engano. Quando se trata da cerimônia de abertura do festival, sempre pode piorar. E foi o que aconteceu anteontem. A cerimônia aconteceu no Memorial de Curitiba, no Largo da Ordem. Como já virou hábito no FTC, teve discursos bastante longos no início, mas dessa vez essa não foi a única questão que pontuou a confusão .
Depois dos discursos, o público conferiu o espetáculo ''Matéria'', da companhia carioca Lumini. O espetáculo que une dança e efeitos especiais pode até ter suas vantagens, mas definitavemente não funcionou no Memorial. A começar pelo fato da montagem exigir escuridão total para sua apresentação, já que trabalha com luzes de neón e o efeito se perde com a interferência de iluminação branca. Para quem não conhece, o Memorial tem teto e paredes de vidro. Além da claridade do céu e da rua, a montagem brigava com as câmeras e flashes fotográficos insistentes que pipocavam durante o espetáculo. Durante duas horas.
Isso mesmo. Mesmo sabendo ser um local aberto em que as pessoas estariam todas amontoadas e em pé, a organização não poupou o público e escolheu uma montagem de mais de duas horas para abrir o FTC, um dos mais importantes festivais de teatro do País. Prefeito, patrocinadores e ''convidados especiais'' debandaram na primeira meia hora. Houve quem disse ser uma estratégia para reduzir o número de convidados para o início do coquetel, que começou a ser servido depois das 11 horas (a cerimônia começou às 8h30). Se for, deu certo. Pouco mais da metade dos convidados conseguiram ficar até o final da apresentação da companhia e esperar a discotecagem do apresentador do Fantástico e DJ Zeca Camargo.
Este, ficou sentado numa escada, longe dos olhos do público, até encerrar a enfadonha apresentação. Na hora de assumir as pickups foi ponderado: ''Ah, eu não vi. Tinha saído para buscar os CDs'', disse à reportagem quando questionado sobre o que achou do espetáculo de abertura. Muita gente também teria preferido não ter visto.


