Ponto de vista: os melhores filmes de 2025
Crítico de cinema da FOLHA aponta os melhores filmes nacionais e estrangeiros de 2025, alguns concorrem ao Oscar
PUBLICAÇÃO
sábado, 03 de janeiro de 2026
Crítico de cinema da FOLHA aponta os melhores filmes nacionais e estrangeiros de 2025, alguns concorrem ao Oscar
Carlos Eduardo Lourenço Jorge/ Especial para a FOLHA 

Depois de anos distante, volto neste apagar de telas em dezembro para:
1 - Manter meu crédito inabalável na chama da melhor criação
2 - Apontar e dignificar a prevalência do talento
3 - Reafirmar uma fé não poucas vezes estremecida por mediocridades das mais diversas procedências
Acho mesmo que é possível firmar posição quanto à excepcionalidade de títulos que estrearam mundo afora, ao longo desses 365 dias de 2025. Cineastas que trabalham dentro e fora do sistema de estúdios conseguiram criar obras ousadas, pessoais, extremamente imaginativas e singulares.

Lamenta-se, por outro lado, que tanta oferta de superior qualidade tenha chegado aos circuitos mundiais de maneira um tanto desordenada, confirmando inclusive, e acima de tudo, que as premiações já concretizadas (e ainda por vir) tiveram muito mais acertos do que em safras recentes.
Nesta volta a um pódio cinematográfico, pesou a decisão de... não haver pódio.
Esgrimindo seu habitual tirocínio/discernimento (e sua arguta cinefilia), o espectador frequente vai acrescentar (ou excluir, à sua escolha) os filmes que estiveram acima de suspeitas – não de todas, mas de boa parte delas.

As delícias estiveram bem distribuídas, seja reflexiva, seja sensorialmente, desde “Uma Batalha após a Outra”, de Paul Thomas Anderson, e o “Frankenstein” de Guillermo Del Toro, passando por dezenas de títulos de reconhecida esperteza e humanidade, como “Pecadores” e os políticos “O Agente Secreto”, o cinema-cachoeira de Kleber Mendonça, e “Foi Só um Acidente”, de Jafar Panahi.

É preciso falar de “Amores Materialistas”, de Celine Song, que explora amor e romance na era moderna, e tenta decifrar os relacionamentos como um investimento. Uma visão lúcida sobre sentimentos e praticidade.

Menção muito especial para a chegada via streaming dos ótimos “A Garota Canhota”, de Taiwan, “Sonhos de Trem” e “A Casa de Dinamite”, de Kathryn Bigelow, o mais aterrador suspense apocalíptico deste primeiro quarto de século...
Indiscutível o brilho brasileiro. Pois além de “O Agente Secreto” e de “Ainda Estou Aqui”, ambos na mesma linha de montagem da memória crítica de brasilidade, outras contribuições de peso fizeram história este ano. Casos de “O Último Azul”, de Gabriel Mascaro”, ficção lírica e crítica, sobre a questão do etarismo no país e temas como liberdade e ressignificação de vida.
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O crescimento da carreira de outro cineasta, Esmir Filho, ficou evidenciado com o lançamento de “Homem com H”, drama biográfico que vai fundo na vida do cantor Ney Matogrosso (Jesuita Barbosa, que não apenas interpreta Ney mas vive o cantor, vai muito além dos trejeitos, busca o olhar, a postura, os detalhes, especialmente ao explicitar a relação homofóbica do artista e seu pai).

E afinal um registro afetivo e respeitoso à dama Fernanda Montenegro, que fez trabalho incrível em “Vitória” e já se prepara para sua despedida no cinema em 2026 com “Velhos Bandidos”, dirigida pelo filho, Claudio Torres.





