Preparem o coração e afinem a sensibilidade para acompanhar ''Portraits Dansés'', a videoinstalação que o grupo francês Clara Scoth está mostrando no Filo. A viagem pelas emoções humanas reúne imagens de pessoas de oito países expressando em gestos e palavras sentimentos que todo mundo conhece: medo, alegria, dor, desejo, esperança. Um repertório que crianças e adultos sabem de cor e que está mesmo instalado no cotidiano. A partir dessa constatação, o coreógrafo Philippe Jamet procurou registrar essas emoções, colhendo depoimentos em várias línguas, utilizando espaços com os quais as pessoas mantém intimidade. O que você mais gosta na sua cidade? Como é sua casa? Qual foi sua maior dor? E a maior alegria? Perguntas simples, capazes de resgatar o clima daqueles cadernos em que os adolecescentes falam sobre si mesmos, só que em vez de usar apenas palavras, o coreógrafo instigou a expressão corporal. O resultado é um mosaico de emoções, a humanidade multifacetada reunida num espelho.
Dezenas de pessoas da França, Brasil, EUA, Itália, Japão, Vietnã, Marrocos e Burkina Faso (África) carregam nos gestos suas expressões culturais. Mas a dor é a dor, em qualquer parte do mundo. Assim como a alegria é uma faísca no olhar coletivo. Nos gestos assustados do brasileiro que tem medo da polícia ou da africana que teme a fome na infância, a humanidade mostra a insegurança planetária diante do mundo sempre desigual. Mas há também a dança, a alegria, o nascimento dos filhos, a solidariedade, a vitória do time fazendo contraponto à dor para mostrar que a poesia também cabe no cotidiano. Uma leitura humana, demasiadamente humana.
''Portraits Dansés'' não deixa de ser um mergulho psicanalítico sem frescuras, um toque preciso e suave sobre os canais das emoções. O trabalho comovente foi feito para que o espectador passe horas nessa viagem. Para ver todo o trabalho seriam necessárias oito horas. Mas os afobados não precisam estressar, ninguém é obrigado a ficar lá dentro. Cada um desenha o tempo da sua incursão pessoal ao mapa mundi da gestualidade. A instalação é sobretudo uma brincadeira, um espaço lúdico onde o convidado muitas vezes identifica suas próprias expressões. Depois de percorrer três salas de imagens, o público é recebido pelos bailarinos para uma celebração, eles fazem a releitura dos gestos captados ao redor do mundo. Neste ponto, a arte é uma porcelana delicada recolhida num universo de sutilezas.
''Portraits Dansés'' tem hoje sua última apresentação em Londrina, a partir das 19 horas, na Praça Primeiro de Maio (antiga Casa de Cultura). A viagem tem entrada franca e a apresentação conta com o apoio da Aliança Francesa, da Embaixada e do Consulado da França no Brasil

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