A Rede Globo começou a transmitir, nesta semana, a série ''24 horas'', lançada há anos nos Estados Unidos e já exibida pela TV a cabo. Serão 24 episódios ao todo, em formato único: cada capítulo passa em uma hora real, incluindo até os comerciais. A idéia é forte e como a história é muito densa, a tensão chega a ser quase insurportável.
Toda a história se passa em 24 horas, começando à meia-noite do dia em que um senador negro vai às primárias para ser escolhido candidato do partido à presidência. Os serviços secretos descobrem que há um atentado em andamento contra o candidato e o agente Bauer é convocado. Bauer, muito bem vivido por Kiefer Sutherland (que viu sua carreira se impulsionar com a série, que terá sua terceira continuação este ano), é de um superserviço secreto. E a coisa começa.
Se assim a trama parece com muito que o espectador já viu é melhor repensar porque trata-se apenas de um ângulo. Bauer está se reconciliando com a esposa (Leslie Hope), tem uma filha-problema, teve caso com uma agente de sua equipe. É chamado exatamente em casa, deixa a esposa e a filha some. É raptada. Seu superior informa que não pode confiar em ninguém, nem em seus melhores agentes.
A tensão vai, assim, se tornando cada vez maior. O sequestro da filha se confunde com o atentado ao senador. Palmer, o homem que pode vir a ser o primeiro negro a presidir os EUA, é idealista, corajoso, tem mulher e filhos. Mas a mulher quer ser primeira-dama, de qualquer modo, o filho enfrentou problemas criminais, a filha também foi alvo de coisas terríveis. Os que o cercam, como de hábito, têm seus interesses.
As coisas complicam e vão ficando cada vez mais graves. O espectador senta na poltrona, vê o primeiro, o segundo, o terceiro (e vão ser exibidos os 24, todos os dias, depois do ''Jornal da Globo'') e começa a não aguentar. Normalmente, qualquer desse tipo de série tem seus ''relax''. Pensa-se em dado momento, como quando a autoridade chega à filha sequestrada, à mulher desaparecida: ''Bom, agora vai parar um pouco''. Engano. As coisas continuam explosivas, perigosas, assustadoras.
O resultado de tudo é, inegavelmente, uma série muito boa. O espectador, ainda mais por causa também do horário, precisa ficar atento. Mas teráum grande espetáculo.
''24 horas'' emplacou, nos Estados Unidos. Foi indicada em várias categorias aos Globos de Ouro e aos Emmys. Kiefer Sutherland ganhou como melhor ator em séries de ação. Merecidamente. Passa ao longo da trama sua capacidade, seus problemas, sua inteligência. O espectador torce por ele e isto é, sem dúvida, o melhor sinal em qualquer atração. A série já teve uma segunda temporada, exibida pela TV a cabo. Vai para a terceira. Agradou até agora. Se a fórmula se desgastou ou não, só se saberá com o tempo. O certo, porém, é que esta primeira versão, com suas reviravoltas, com um roteiro muito bem-feito, é boa. E tem mais um detalhe importante: mostra para o público a realidade atual de um mundo em que o terrorismo e o medo provocam transformações que assustam e que podem até nos atingir.
Preocupou-se? É um dos objetivos da série!

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