‘‘Vem Vai – O Caminho dos Mortos’’, espetáculo que a Companhia Livre apresenta no Filo, realiza um inusitado passeio pelo universo lendário da morte. Para abordar o tema, a montagem escolhe como foco a perspectiva mítica dos povos indígenas.
  Seguindo mitos e narrativas de etnias sul-americanas que encaram a morte como simplesmente transposição de mundos, ‘‘Vem Vai’’ é construído cenicamente por quatro espaços cenográficos que simbolizam o processo de transposição. O espectador percorre esses espaços seguindo ritos de passagens entre o mundo dos vivos e o mundo dos mortos.
  A companhia paulista, dirigida por Cibele Forjaz, parte de uma concepção extremamente contemporânea de teatro para fazer de ‘‘Vem Vai’’ uma ponte entre a cultura industrial e cultura indígena. Uma ligação que revela a fatalidade do conflito, a batalha entre o visível e o invisível, entre o real e o subjetivo. Sempre deixando claro tudo aquilo que acontece diante dos olhos e ouvidos do público trata-se de uma representação teatral.
  Um dos focos da montagem está em desmistificar a morte, apresentá-la como decorrência natural da existência: ‘‘a vida como o tempo em que o homem prepara a morte’’. Uma narrativa entremeada de apontamentos para a superação de fantasmas, medos e apegos.
  A concepção de ‘‘Vem Vai’’ reserva um papel especial para o público. Realiza uma espécie de diálogo onde o espectador é convidado a realizar o mesmo caminho percorrido pelos personagens. É impelido a participar, simbolicamente, de uma espécie de rito de passagem entre a vida e a morte. Entre a idéia de vida e a idéia de morte, imaginar uma transposição, uma revisão dos olhos.
  Embora seja um passeio pelo universo lendário da morte, a montagem da Cia. Livre está objetiva para a vida. Nada mais do que o velho princípio de afirmar que aceitar a morte é viver com maior tranqüilidade. Com maior clareza. Que a intensidade da morte é a mesma intensidade da vida.

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