PONTO DE VISTA
PUBLICAÇÃO
terça-feira, 20 de maio de 2008
Francismar Lemes<br>De Umuarama para a Folha2 
Às vezes parece que as situações nos tiram do chão. Uma incômoda sensação de medo, que nos afronta e consome em frações de segundos. Para o público que lotou o Teatro Neiva Pavan Machado Garcia, em Umuarama, anteontem, na segunda apresentação da Companhia Suspensa, de Belo Horizonte (MG), na programação da III Mostra de Dança Contemporânea Unipar, essa violação dos sentimentos durou cerca de 45 minutos de espetáculo.
Uma experiência que consumiu um público, em sua maioria muito jovem, mas que, ao mesmo tempo em que é iniciado nas artes cênicas, com um evento que tem como um de seus pilares a formação de público, também começa uma trajetória aos lugares escondidos da alma, que os movimentos de uma coreografia ousada, incorporando além da dança, técnicas de teatro e circo.
A apresentação surpreende em vários momentos, arrancando da platéia uma ponta de medo com a atuação dos intérpretes Guilherme Morais, Lourenço Marques, Patrícia Manata e Tana Guimarães. Um elenco afinado pela direção de Ana Virgínia Guimarães e Sérgio Penna, que auxiliaram o grupo a encontrar o seu espaço em pleno ar, atormentando a gravidade, que não consegue fazer com que sucumbam ao seu peso, que arrasta para baixo.
Ao contrário, a coreografia é sempre lá em cima tanto pelo que se vê no palco, como através do elenco pendurado em cadeiras, cortando uma estrutura metálica de um lado ao outro agarrados em cordas, que amarram também a atenção do público.
Com Pouco Acima, a mostra bastante nova e que tem à frente como coordenador-geral, Alessandro Antonio da Silva, já revela potencial de crescimento ainda mais por estar numa região do Paraná em que, logisticamente, tudo se torna mais difícil.
Para o público que acompanha a maratona de 10 dias de apresentações, assistir ao elenco da Companhia Suspensa abandonar o chão e, praticamente, flutuar no palco é uma demonstração de um domínio sobre o corpo e a técnica que ainda está sendo apurada, mas que revela a consciência do grupo, que insinua um lugar um pouco mais acima na dança contemporânea.
O jornalista viajou a convite da organização da Mostra de Dança.


