Lílian de Almeida
Especial para a Folha2
Um dos mais interessantes e bem estruturados repertórios da programação artística do 19º FML foi o concerto de Música de Câmara, realizado sexta-feira, no Cine-Teatro Ouro Verde, em que tivemos a satisfação de ouvir dois grandes mestres: da música russa - Dmitri Shostakovich (1906-1975); e da música francesa - Camile Saint Saens (1835-1921).
As obras executadas - ‘‘Trio op 67 em Mi menor’’ de Shostakovich e o ‘‘Carnaval dos Animais’’, de Saint Saens - possuem grande semelhança pois ambas foram feitas em caráter descritivo. O trio para violino, violoncelo e piano, executado magistralmente, descreve de forma intuitiva a revolta e tristeza do poder opressivo durante a 2ª Guerra Mundial e Shostakovich o dedicou à memória de seu grande amigo Ivan Sollertinsky, famoso musicólogo russo que viveu as atrocidades daquele momento.
No início e final da obra o violoncelo emite sons harmônicos que ficam no ar como que um questionamento do porquê de tudo aquilo...O 3º Movimento Largo é em forma de Réquiem (canto de morte) e o último movimento Allegreto descreve e retrata uma dança macabra.
No ‘‘Carnaval dos Animais’’ nunca Saint Saens se mostrou tão atraente e sedutor e com tamanho senso de humor como nesta coleção de quadros zoológicos para dois pianos e orquestra, aqui apresentado em versão de música de câmara, composto em 1886 (com publicação póstuma).
As caracterizações dos diferentes animais são alternativamente espirituosas, brilhantes, satíricas e ternas. O uso do piano e do contrabaixo para descrever o elefante; as saltitantes figuras nos dois pianos que sugerem cangurus, a imitação do cuco pela clarineta e a melodia para solo de violoncelo que goza de merecida fama e representa o cisne - estes são alguns dos muitos momentos agradáveis desta encantadora partitura, associada sem dúvida a performance dos intérpretes.
A professora de piano e produtora cultural Lílian de Almeida escreveu sobre o Concerto de Música de Câmara a pedido da Folha2

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